ABRIL MARROM

Doenças oculares podem avançar sem apresentar sintomas, alerta oftalmologista

Glaucoma, catarata e retinopatia diabética estão entre as principais doenças oculares

Doença lidera as causas de cegueira irreversível no mundo Risco de glaucoma é maior em pessoas com mais de 40 anos; saiba mais sobre a doença
(Foto: Freepik)

A campanha Abril Marrom reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce no combate à cegueira, problema que ainda afeta milhares de brasileiros e que, em muitos casos, pode ser evitado com acompanhamento oftalmológico regular.

Segundo o oftalmologista Humberto Borges, o principal desafio é que diversas doenças oculares evoluem de forma silenciosa. “Muitas dessas doenças não apresentam sinais perceptíveis no começo. Quando o paciente nota alguma alteração, o quadro já pode estar avançado. Por isso, o acompanhamento oftalmológico regular é fundamental”, destaca.

Com que frequência exames de vista devem ser realizados?

O especialista reforça que a periodicidade dos exames deve variar conforme a idade e o histórico do paciente. De forma geral, a recomendação é que consultas oftalmológicas sejam realizadas anualmente, principalmente em crianças em idade escolar e pessoas acima dos 40 anos.

Já em bebês, o acompanhamento começa logo no primeiro mês de vida, seguido por uma reavaliação aos seis meses. Em casos sem alterações, o intervalo pode ser maior, mas sempre com atenção às orientações médicas.

Histórico familiar deve ser considerado?

Humberto Borges também destaca que o histórico familiar é um fator de alerta importante para diversas doenças oculares. Segundo ele, condições como glaucoma, degeneração macular, distrofias retinianas e até erros refrativos, como miopia e astigmatismo, podem ter componente hereditário.

“Quando há casos na família, o acompanhamento precisa ser mais próximo, podendo ser anual ou até semestral, dependendo da situação”, explica. Ele ainda orienta que pais fiquem atentos a sinais nas crianças, como dificuldade para enxergar de longe ou proximidade excessiva de telas, que podem indicar problemas de visão.

Entre as doenças que mais preocupam os especialistas estão glaucoma, catarata, retinopatia diabética e degeneração macular, que podem comprometer parcial ou totalmente a visão se não forem diagnosticadas e tratadas precocemente.

A bacharel em Direito Izadora Luiz, de 25 anos, conhece de perto a importância desse cuidado. Ela realiza exames oftalmológicos anuais desde a infância por nascer com comprometimentos visuais relacionados à rubéola contraída por sua mãe durante a gravidez.

Izadora convive com miopia e astigmatismo de grau elevado e já precisou passar por tratamento com tampão ocular durante a infância e adolescência para estimular a visão de um dos olhos. “Eu enxergava cerca de 40% de um dos olhos e, após voltar a usar tampão dos 12 aos 13 anos, consegui chegar a 60%. Os próprios médicos ficaram surpresos porque não esperavam melhora”, contou ao Mais Goiás.

Acompanhamento regular

Há cerca de dois anos, a jovem também investigou a possibilidade de ceratocone após notar aumento progressivo no grau dos óculos, mas o diagnóstico foi descartado.

Para Izadora, manter a rotina de consultas é indispensável. “Principalmente para prevenir e acompanhar qualquer mudança na visão. No meu caso, como tenho miopia e astigmatismo em grau alto, fazer exames com frequência ajuda a controlar e evitar que piore sem eu perceber”, relata.

Além das consultas periódicas, especialistas reforçam que hábitos saudáveis também contribuem para a preservação da saúde ocular, como o controle de doenças crônicas, especialmente o diabetes, a proteção contra a exposição excessiva ao sol e o uso correto de óculos ou lentes.

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