Terça-feira, 28 de Julho de 2026
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HIV: médicos anunciam dois novos casos de cura

Pesquisadores precisam acompanhar pacientes por mais tempo

Por - Goiânia, GO
Publicado em:
HIV: médicos anunciam dois novos casos de cura Pesquisadores precisam acompanhar pacientes por mais tempo Aids

Via Extra – Dois novos pacientes estão possivelmente curados do HIV, após 14 e 12 meses sem tomar medicamentos que controlam a replicação do vírus no organismo. Ambos foram submetidos a transplantes de células-tronco. Os dois novos casos ainda são tratados como possíveis curas porque o tempo sem medicamentos é relativamente curto. Os pesquisadores precisam acompanhá-los por mais tempo para verificar se o HIV realmente não voltará. Mesmo nos casos mais antigos de cura, os pacientes continuam sendo acompanhados.

O anúncio, que será apresentado na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, evento da entidade que acontece nesta semana no Rio de Janeiro, eleva de 11 para 13 o número de casos de cura ou remissão do HIV contabilizados pela Sociedade Internacional de Aids (IAS).

Um dos pacientes, conhecido como paciente de Kansas City, está há 14 meses sem os antirretrovirais, medicamentos que impedem que o HIV se multiplique no organismo, e continua com níveis indetectáveis do vírus. O segundo caso completou 12 meses sem tratamento contra o HIV e sem carga viral detectável.

O paciente de Kansas City é um homem de 21 anos que recebeu o diagnóstico de HIV e de uma forma agressiva de leucemia em 2018. Em outubro de 2020, ele recebeu células-tronco de uma doadora que tinha duas cópias de uma mutação rara chamada CCR5-delta32, que impede que as formas mais comuns do HIV usem uma das principais portas de entrada das células.

Após o transplante, o paciente teve complicações e precisou receber um reforço de células-tronco. Os antirretrovirais foram suspensos em fevereiro de 2025 e, 14 meses depois, os exames continuavam sem encontrar o vírus no sangue nem células com HIV capazes de reiniciar a infecção. Antes de começar o tratamento, ele tinha mais de 2 milhões de cópias do vírus por mililitro de sangue.

O segundo paciente, que também tinha hepatite B, recebeu células-tronco de um doador que também tinha duas cópias da mutação CCR5-delta32. O caso era considerado mais complexo porque a pessoa tinha diferentes formas do HIV, capazes de usar mais de uma porta para entrar nas células.

Os medicamentos foram suspensos pouco mais de quatro anos após o transplante. Depois de 12 meses, o HIV continuava indetectável, e os pesquisadores não encontraram vírus capaz de se multiplicar nem material genético completo do HIV em amostras do intestino. Por outro lado, a hepatite B voltou a se multiplicar em apenas 25 dias, já que parte dos antirretrovirais também controlava esse vírus.

É preciso ressaltar que todos os casos documentados até hoje de cura pelo HIV receberam transplantes para tratar leucemias, linfomas ou outras doenças graves do sangue. Os procedimentos não foram feitos como tratamento contra o HIV especificamente.

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