Sábado, 03 de Outubro de 2026
FARMÁCIA ONLINE

Mercado Livre já vende antibióticos e canetas emagrecedoras; Anvisa cobra explicações

A operação começou em São Paulo e pode avançar para drogarias parceiras

Da Redação
Por - Goiânia, GO
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Antibióticos, medicamentos para diabetes e canetas usadas para controle de peso já entraram no catálogo do Mercado Livre em São Paulo. A empresa ampliou a operação de sua farmácia própria em setembro para incluir remédios que exigem prescrição e até retenção da receita. Dias depois do anúncio, a Anvisa notificou a companhia para saber como a venda está sendo feita e quais mecanismos são usados para conferir receitas, armazenar e transportar os produtos.

A entrada em um setor até então dominado por farmácias tradicionais também prevê uma segunda etapa: o Mercado Livre quer abrir a plataforma para drogarias parceiras ainda em outubro e chegar a 20 unidades integradas até o fim do ano. É justamente essa intermediação que esbarra em uma regra ainda inacabada. A Anvisa afirma que, atualmente, não há previsão normativa que autorize marketplaces a intermediar a comercialização de medicamentos.

Uma lei sancionada em março permitiu que farmácias e drogarias licenciadas contratem plataformas de comércio eletrônico para fazer a logística e a entrega dos medicamentos. A autorização, porém, exige o cumprimento das normas sanitárias e depende de regulamentação da Anvisa. Em agosto, a agência abriu formalmente o processo para criar essas regras e alertou que a mudança na lei não representava autorização automática para a comercialização por plataformas digitais.

O anúncio mexeu também com as grandes redes de farmácias. Entre 23 de setembro, véspera da divulgação dos planos, e quinta-feira (1º), RD Saúde, dona de Raia e Drogasil, Pague Menos e Panvel perderam juntas cerca de R$ 1,6 bilhão em valor de mercado. Analistas atribuem parte da reação à possibilidade de o Mercado Livre usar sua base de clientes e estrutura de entregas para aumentar a concorrência em um segmento no qual as redes tradicionais possuem milhares de lojas físicas.

O Mercado Livre afirma que os medicamentos vendidos em sua operação têm origem e validade rastreáveis e que segue as normas sanitárias. Na compra de produtos que exigem retenção de receita, a prescrição é enviada pela plataforma para análise de um farmacêutico antes da liberação do pedido. A companhia também diz manter diálogo com a Anvisa. A discussão agora envolve até onde a plataforma pode avançar antes que a agência conclua as regras específicas para a participação de marketplaces nesse mercado.

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