Quinta-feira, 30 de Julho de 2026
Taxa ilegal

MP recomenda fim de taxa cobrada indevidamente de gestantes em Rio Verde

Promotor alega que gestantes, além de pagarem mensalmente pelo plano de saúde, são obrigadas também a pagar por honorários dos médicos

Da Redação
Por - Goiânia, GO
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O Ministério Público de Goiás (MP-GO) expediu recomendação a operadoras de planos de saúde e médicos obstetras para colocar fim à cobrança de taxa de disponibilidade de profissionais para realização de partos de gestantes beneficiárias de planos de saúde, em Rio Verde. Cobrança, segundo o promotor Márcio Lopes Toledo, é indevida e configura duplo pagamento ilícito.

Segundo o promotor, apesar de a exigência de pagamento ser ilegal, diversos médicos da cidade realizam a cobrança. Assim, conforme aponta, as gestantes, além de pagarem mensalmente pelo plano de saúde, são obrigadas também a pagar por honorários dos profissionais.

Para Márcio Toledo, no entanto, a taxa é ilegal e pode ser classificada como duplo pagamento ilícito. Ele salienta que a Lei nº 9.656/98, que dispõe sobre os planos de saúde privados, exige que as operadoras ofereçam internação hospitalar, entre elas a obstetrícia, e cubra despesas referentes a honorários médicos, bem como serviços gerais de enfermagem e alimentação.

Além disso, o promotor ressalta que a Resolução Normativa 363/14 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelece que o plano hospitalar com obstetrícia compreende toda a cobertura do plano hospitalar acrescida dos procedimentos relativos ao pré-natal, assistência ao parto e puerpério.

Fiscalização

Na recomendação, Márcio Toledo pede que os obstetras deixem de cobrar a mencionada taxa, uma vez que é ilegal. Às operadoras de plano de saúde Unimed Rio Verde e São Francisco Saúde, a orientação é de fiscalizar a atuação dos médicos cooperados e credenciados.

Segundo o promotor, entre 2016 e 2018, a Unimed de Rio Verde cobriu 3.889 partos, dos quais 3.161 (81,28%) foram cesáreas. Já a São Francisco Saúde cobriu 45 partos, 41 (91,11%) foram cesáreas. De acordo com ele, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que a taxa ideal de cesáreas deve variar entre 10% e 15%.

No Brasil, o porcentual é de 57%, ocupando o segundo lugar no ranking da OMS neste tipo de parto. Goiás é o estado que apresenta o maior índice de nascimentos desta forma – 67% no geral e 80% quando considerada a rede particular de saúde.

O Mais Goiás tenta contato com as operadoras citadas e salienta que o espaço está aberto para manifestação.

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