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Remédio para tratar Alzheimer em estágio inicial custará de R$ 8.000 a R$ 11 mil

Valor para um mês de tratamento foi divulgado nesta sexta-feira (17)

Remédio para tratar Alzheimer em estágio inicial custará de R$ 8.000 a R$ 11 mil Valor para um mês de tratamento
Imagem: FreePik

Via Folha de São Paulo – A CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), órgão vinculado à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), divulgou nesta sexta-feira (17) o preço do lecanemabe, medicamento indicado para o tratamento da doença de Alzheimer em estágio inicial e comprometimento cognitivo leve.

Um mês de tratamento com aplicação endovenosa a cada 15 dias —para um paciente com o peso médio de 70kg— custará R$ 8.108,94, desconsiderando taxas e impostos. Aplicando uma alíquota de 18% (caso da maioria dos estados), o valor chega a R$ 11.075,62. Comercializado pelo nome de Leqembi, o medicamento é fabricado pela empresa japonesa Eisai em parceria com a Biogen.

O lecanemabe é um anticorpo monoclonal que tem como alvo a beta-amiloide. A proteína se acumula no cérebro de pessoas com Alzheimer anos antes do início dos sintomas, progride e está associada à evolução de todo o processo patológico da doença. As evidências indicam que o remédio reduz a velocidade de progressão da doença, mas não promove a melhora dos sintomas.

Embalagens do Leqembi (lecanemabe), para tratamento do Alzheimer – Divulgação

Aprovado pela Anvisa em 22 de dezembro de 2025, o medicamento deve chegar ao mercado brasileiro no final de junho.

A ação do lecanemabe tem como alvo as protofibrilas de beta-amiloide, que se acumulam e causam a morte dos neurônios. A protofibrila é a forma tóxica da proteína.

“O diferencial do medicamento é o duplo mecanismo de ação: remove as placas de beta-amiloide e neutraliza a cascata de neurotoxicidade que alimenta a progressão da doença”, diz Tatiana Branco, diretora da área médica da Biogen no Brasil.

O neurologista Paulo Caramelli, professor da faculdade de medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), afirma que o estudo de fase 3 para investigar a eficácia e segurança do lecanemabe observou que doentes com Alzheimer em fase inicial —demência leve ou comprometimento cognitivo leve— tratados ao longo de 18 meses tiveram uma redução de 27%, em média, na velocidade de progressão da doença em relação a quem recebeu o placebo.

Outro ponto são os efeitos adversos —edema e hemorragia cerebral. A população de maior risco para os efeitos colaterais é aquela com um tipo genético chamado apolipoproteína E4.

De acordo com Paulo Caramelli, alguns exames devem ser solicitados antes da prescrição do tratamento, como o estudo do genótipo apolipoproteína E —embora não seja coberto pelo SUS, o procedimento é simples e está disponível em laboratórios privados.

Também é obrigatória uma ressonância magnética feita até um ano antes do início do tratamento. O objetivo é se certificar de que não há lesão hemorrágica, nem alterações cerebrais que impeçam a terapia. Outro critério de exclusão são os anticoagulantes —o paciente não pode utilizar esse tipo de medicação.