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Sem Lula, Mercosul e União Europeia assinam acordo de livre comércio em Assunção

Após 26 anos de negociações, Mercosul e União Europeia assinam acordo histórico

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Acordo prevê redução de impostos de importação para mais de 90% do comércio bilateral | Foto: Agência Brasil

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado hoje (17), em Assunção, pondo fim a 26 anos de negociações. A cerimônia, realizada no Banco Central do Paraguai, formaliza a integração de um mercado de 700 milhões de pessoas e um PIB que representa cerca de 20% da economia mundial. O objetivo central é fortalecer a autonomia comercial das duas regiões em um cenário global disputado por China e Estados Unidos.

O tratado prevê a redução de impostos de importação para mais de 90% do comércio bilateral. Enquanto a Europa busca ampliar suas exportações de tecnologia, máquinas e automóveis, o Mercosul terá acesso facilitado para produtos como carne e soja. Segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a parceria reflete a escolha pelo “comércio justo em vez de ameaças” e pela criação da “maior área de livre comércio do mundo”.

O Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira, uma vez que o presidente Lula não compareceu por questões de agenda. O anfitrião Santiago Peña classificou o ato como um “dia histórico” e agradeceu o empenho do líder brasileiro nas tratativas. Já o presidente argentino, Javier Milei, defendeu a liberdade econômica do acordo, mas evitou aplaudir as menções a Lula e sugeriu que o bloco deve buscar parcerias ainda mais amplas com nações como Japão e Estados Unidos.

A implementação do pacto inclui cláusulas vinculantes sobre preservação ambiental e democracia, com possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação de tratados internacionais como o Acordo de Paris. Mauro Vieira ressaltou que a assinatura estabelece “as bases de uma relação duradoura orientada para o desenvolvimento sustentável e bem-estar”. Além disso, especialistas acreditam que a medida pode recuperar a coesão política do Mercosul diante das recentes tensões tarifárias no comércio internacional.

Para entrar em vigor, o texto ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada país membro. O processo enfrenta resistência de produtores rurais europeus, especialmente na França, que temem a concorrência sul-americana. Para mitigar esse impasse, a Comissão Europeia estabeleceu cotas de importação e salvaguardas temporárias para setores considerados sensíveis, como arroz e carne bovina.

Com informações da Folha de S. Paulo

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