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Tetraplégico volta a andar após teste com polilaminina; saiba o que é a substância

Caso de Bruno Drummond viralizou nas redes, mas especialistas alertam que terapia ainda é experimental

Bruno Drummond viralizou mas terapia ainda é experimental Tetraplégico volta a andar após teste com polilaminina; o que é a substância
Foto: Reprodução

O bancário Bruno Drummond, de 31 anos, surpreendeu internautas ao publicar vídeos treinando na academia após participar de um estudo com polilaminina. Ele sofreu um acidente com lesão medular em 2018 e, menos de 24 horas depois, recebeu a substância experimental. Bruno foi um dos oito pacientes do primeiro teste realizado no mesmo ano.

“Eu quebrei o pescoço. Quando fiz o meu primeiro movimento, três semanas depois, consegui mexer o dedão. Um ano depois, eu estava andando com bengala e, logo depois, já estava começando a andar de forma independente”, relatou.

Segundo ele, a evolução foi significativa: Bruno saiu da classificação “A” (sem movimentos) para a “D” (com força e sensibilidade para a maioria dos movimentos). O caso rapidamente levou o tema aos assuntos mais comentados das redes sociais.

O que é a polilaminina

A polilaminina é um composto recriado em laboratório a partir da laminina, proteína produzida naturalmente pelo corpo humano, principalmente durante o desenvolvimento embrionário, quando tem papel importante na organização dos tecidos e no crescimento celular.

A substância vem sendo estudada há quase 30 anos e é considerada promissora, mas ainda está longe de se tornar um medicamento aprovado. Os resultados divulgados até agora são preliminares e envolveram apenas oito pacientes.

Como a substância atua no organismo

Quando ocorre uma lesão na medula espinhal, os axônios — prolongamentos dos neurônios responsáveis pela transmissão de sinais — se rompem. O próprio organismo forma uma cicatriz no local, o que dificulta a reconexão dessas células.

A proposta da polilaminina é atuar como uma espécie de “ponte microscópica”. Aplicada diretamente na área lesionada durante a cirurgia, ela cria uma estrutura de suporte que pode facilitar o crescimento dos neurônios através da região do trauma e ajudar a restabelecer parte da comunicação entre cérebro e corpo.

Resultados em laboratório, em animais e em pequenos grupos de pacientes indicam que esse mecanismo pode favorecer algum grau de recuperação motora em lesões medulares agudas — aquelas que ocorrem logo após o trauma.

Caso individual não comprova eficácia

Apesar da evolução de Bruno, especialistas fazem um alerta importante: o estudo ainda não passou por todas as etapas necessárias para comprovar segurança e eficácia.

Ensaios clínicos mais amplos e controlados ainda precisam ser realizados. Além disso, há evidências de que até 30% dos pacientes com lesão medular aguda podem recuperar algum grau de movimento mesmo sem o uso da substância, dependendo do tipo de lesão e da resposta individual.

O estudo preliminar mostrou diferentes níveis de recuperação entre os oito participantes — nem todos tiveram melhora completa. Por causa do número reduzido de pacientes e da diversidade das lesões, não é possível afirmar que a recuperação observada foi causada pela polilaminina.

Também não há evidência científica de que a substância funcione em lesões medulares crônicas, quando a paralisia já está estabelecida há mais tempo.

Pesquisa ainda está em fase inicial

A pesquisa é liderada pela cientista Tatiana Sampaio, que há décadas se dedica ao estudo da regeneração neural. Apesar dos resultados animadores, a própria equipe reforça a necessidade de cautela.

Para que a polilaminina se torne um medicamento, ainda será preciso cumprir todo o caminho regulatório, com estudos clínicos maiores, controlados e replicáveis.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em janeiro de 2026, a continuidade dos testes clínicos em humanos. Atualmente, o foco dos pesquisadores está em lesões medulares agudas, especialmente na região torácica.

Rotina hoje inclui musculação

Hoje, Bruno compartilha nas redes sua rotina de treinos para incentivar outros pacientes. Em vídeos recentes, ele aparece realizando supino reto com halteres de 20 kg e treinando peito, tríceps e ombros com autonomia.

O bancário afirma que a polilaminina acelerou sua recuperação, embora a ciência ainda não possa estabelecer uma relação de causa e efeito.

Pesquisadores estimam que, se os resultados forem confirmados nas próximas fases, o uso amplo da terapia ainda pode levar alguns anos. Até lá, a recomendação dos especialistas é acompanhar o avanço das pesquisas com expectativa — e cautela.