MERCADO

Venda de cerveja cai e Virgínia é contratada para promover bebida entre jovens

Virginia foi contratada pela marca de cerveja Itaipava, que se considera em um "novo momento estratégico de conexão com público mais jovem"

Venda de cerveja cai e Virgínia é contratada para promover bebida entre jovens (Foto: Reprodução)
Venda de cerveja cai e Virgínia é contratada para promover bebida entre jovens (Foto: Reprodução)

(Folhapress) A influenciadora Virgínia Fonseca, que estreia na noite desta terça-feira (17) como rainha da bateria da Grande Rio, acaba de fechar contrato com a cerveja Itaipava, do grupo Petrópolis. Em nota, a cervejaria afirmou que chegada da influencer, com 54,5 milhões de seguidores nas redes sociais, marca um “novo momento estratégico de conexão com o público mais jovem”.

O anúncio vem em meio à queda nas vendas da categoria no Brasil —o terceiro maior consumidor de cerveja no mundo, depois de China e Estados Unidos—, puxando justamente pela geração Z (nascidos entre 1997 e 2012), da qual Virgínia, 26, faz parte.

De acordo com a empresa de pesquisas NielsenIQ, em 2025, a venda de bebidas em geral caiu 3,4%. No mesmo ano, o preço subiu 5,4%, considerando tanto bares e restaurantes quanto o varejo alimentar. Na conta, estão bebidas alcoólicas (60% do total, com predominância de cerveja) e não alcoólicas (refrigerantes em especial).

Já a Ambev, que concentra mais de 60% das vendas de cerveja no país, apontou queda de 4,5% no volume de cerveja comercializado em 2025, no seu relatório de resultados do quarto trimestre.

Virgínia é a mais jovem do time de influenciadores da Itaipava, a maioria com mais de 30 anos: Nicole Bahls, 40, Thaynara OG, 33, Caio Afiune, 37, Álvaro Xaro, 27, além de Ivete Sangalo, 53, embaixadora da marca.

Influenciadora Virginia Fonseca (Foto: Reprodução)

Os jovens também são o principal público dos mais de 600 blocos do Carnaval de rua de São Paulo neste ano, evento que recebeu o patrocínio de R$ 30 milhões da Ambev. Com isso, a cervejaria tem exclusividade nas vendas ao longo dos trajetos, por meio de 15 mil ambulantes credenciados.

A maior aposta da Ambev neste Carnaval é a Beats (que não usa mais Skol no nome). A cada ano, saem sabores diferentes da bebida “read to drink”, gaseificada. Duas latinhas de 269 ml são vendidas nos blocos por R$ 17. É a opção escolhida pelo administrador de empresas Pedro Ferraz, 24, que costuma participar da folia com a namorada e um grupo de amigos.

“Eu tomo no máximo três ou quatro latinhas ao longo de todo o bloco”, diz. “É o suficiente para ficar bem alegre, ela tem um teor alcoólico maior que o da cerveja [7,9% contra 4,7%]”. O preço também é 70% maior: duas latinhas de Skol 269 ml saem por R$ 10 (nos blocos, as bebidas são vendidas em duas unidades).

Segundo Paulo Solmucci Júnior, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), esta tem sido a estratégia dos fabricantes de bebidas: aumentar o desembolso, para compensar em parte a queda no consumo.

“A ideia é buscar o mesmo faturamento com outros itens”, diz ele, afirmando que os estabelecimentos têm procurado oferecer bebidas zero álcool, opções de menor teor alcoólico ou maior desembolso. O setor tem boas expectativas com o Carnaval deste ano, especialmente tendo em vista as altas temperaturas.

O executivo lembra, porém, que para além da mudança de hábito dos consumidores mais jovens, outros fatores vêm impactando o consumo de cerveja no país: a inflação, as bets e as canetas emagrecedoras.

Disputa nos blocos de SP

As fabricantes contam com a folia para reagir à queda nas vendas de 2025. De acordo com os resultados do quarto trimestre da Ambev, as vendas de cerveja caíram 2,6% em volume, período que tradicionalmente concentra as maiores vendas do setor, por causa das festas de fim de ano. Já os não-alcoólicos (Pepsi, guaraná Antarctica, chá Lipton, entre outros) recuaram 6,6%.

No último trimestre, o lucro da cervejaria recuou 10%, para R$ 4,5 bilhões. No relatório de resultados, a Ambev apontou “condições climáticas adversas e um ambiente de consumo mais desafiador” e ressaltou que “a cerveja segue sendo uma categoria amada e culturalmente relevante”.

Entre os influenciadores contratados pela companhia neste carnaval está a americana Bridget Fancy, 28, do perfil @meiobrasileira no Instagram.

A vice-líder no país, a holandesa Heineken, não divulga os resultados no Brasil, seu maior mercado global. Mas a divisão Américas, que tem Brasil e México como principais países, registrou queda de 3,5% no volume de cerveja em 2025, ano em que as bebidas não-alcoólicas cresceram 8,9%. Especificamente sobre o Brasil, a companhia informou que a demanda enfraqueceu diante da queda da renda disponível.

A empresa também é dona da Amstel, que em São Paulo está patrocinando quatro blocos de Carnaval que ficaram de fora da seleção de 100 blocos apoiados pela rival Ambev na capital: Espetacular Charanga do França, Tarado Ni Você, Pagu e Agora Vai. Como patrocinadora, a Amstel, que já apoiava o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, pode colocar sua marca em estandartes e instrumentos, além de distribuir brindes entre os músicos.

Enquanto a Heineken é uma marca premium, a Amstel é uma “mainstream” (de grande consumo, como Skol e Brahma, da Ambev). Em entrevista à Folha em setembro, o CEO da Heineken no Brasil, Mauricio Giamellaro, disse que o país passou a ser também o maior mercado de Amstel no mundo.