INSISTÊNCIA

Advogada ganha indenização por mais de 200 ligações de cobranças indevidas em Goiânia

"Era impossível vencê-los apenas ignorando ou bloqueando"

Após mais de 200 ligações, advogada ganha indenização de empresa de cobrança em Goiânia
Após mais de 200 ligações, advogada ganha indenização de empresa de cobrança em Goiânia (Foto: IA - Grok)

A advogada Taínny Galvão não suportou receber mais de 200 ligações e SMS automáticos indevidos de uma empresa de cobrança e acionou a Justiça para fazer cessar os contatos insistentes que lhe tiravam o sossego. Com isso, no fim de janeiro, o juiz Gustavo Braga Carvalho, do 4º Juizado Especial Cível da Comarca de Goiânia, condenou a companhia por falha na prestação de serviço a indenizar a autora em R$ 3 mil. Vale citar que o devedor seria uma pessoa chamada “Ivan”, um homem desconhecido pela jurista.

Para o magistrado, a insistência, sobretudo ao devedor errado, ultrapassa o mero aborrecimento, diferente do alegado pela defesa. “A falha na prestação do serviço reside na insistência em contatar pessoa estranha à relação negocial, mesmo após as tentativas da autora de informar o equívoco por meio do canal de atendimento automatizado”, esclarece.

Ainda segundo ele, a desorganização da empresa não pode ser transferida para terceiros. “O ônus de manter um cadastro de clientes atualizado e de direcionar as cobranças corretamente é do fornecedor, que não pode transferir a terceiros os prejuízos decorrentes de sua desorganização.” Ainda na decisão, Gustavo determinou à companhia cessar qualquer contato com a advogada acerca de débitos de terceiro, com multa de R$ 200 por dia, limitada a R$ 15 mil, em caso de descumprimento.

Taínny atuou em causa própria no caso. Ao Mais Goiás, ela afirmou que as ligações começaram no fim de setembro e seguiram até novembro. Eram cerca de quatro contatos todos os dias. “Fora os SMS enviados”, detalha.

“Eu chegava a atender, mas o maior problema era esse, pois quem atendia era um robô. Portanto, eu não tinha como conversar com nenhuma atendente para excluir meu número. O robô perguntava se eu conhecia a pessoa, eu falava que não, ela se desculpava, mas ligava novamente.” A advogada afirma que bloqueava os números, mas ligavam de outros diferentes. “Era impossível vencê-los apenas ignorando ou bloqueando.”

Sobre a vitória judicial, ela afirma que a decisão representa uma defesa a direitos básicos do consumidor. “O respeito dentro das relações de consumo. No caso, uma que sequer existe, já que eu não tinha e nunca tive vínculo com a empresa para receber alguma cobrança em meu número de telefone. O abuso dos prestadores de serviço é tanto que chega a esse ponto”, lamenta. “Importante frisar que algo decisivo para a decisão favorável foi o conjunto probatório. Eu filmei diversas ligações e o que o atendente virtual falava, bem como minha resposta negativa e a insistência nas ligações. Isso é a chave para quem quer ingressar com uma ação desse tipo.”

Após mais de 200 ligações, advogada ganha indenização de empresa de cobrança em Goiânia
Taínny reuniu provas e advogou em causa própria (Foto: Arquivo pessoal)