GO: Advogado vira investigado da PF ao tentar subornar PMs por mala com R$ 1,7 mi; vídeo
Dinheiro não declarado saiu de São Paulo com destino a Brasília
Um advogado se tornou investigado da Polícia Federal (PF) depois de tentar subornar policiais militares (PMs) de Goiás para liberar uma mala com R$ 1,7 milhão apreendida em Cristalina. Clientes dele, que transportavam a quantia de São Paulo para Brasília, foram presos por não conseguirem comprovar a origem do montante. Em vídeo registrado pelos agentes, o defensor jurídico chega a afirmar – via telefone – que “ninguém perde[ria]”, ao oferecer propina. A PF assumiu o caso para determinar origem e e destinação dos recursos, enquanto instaura processo por corrupção ativa contra o advogado. O valor permanece apreendido e à disposição da Justiça. As apurações incluem suspeita de crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Segundo a PM de Goiás, os ocupantes do veículo vinham de São Paulo com destino a Brasília quando foram abordados pelo Comando de Operações de Divisas (COD) na BR-050. Na ocasião, um dos suspeitos demonstrou nervosismo, o que estimulou os agentes a realizar verificação do veículo. Durante a vistoria, os policiais encontraram uma mala com o dinheiro. Os ocupantes não apresentaram documentos que comprovassem sua procedência e afirmaram desconhecer o valor exato, levantando suspeitas de que atuavam como “laranjas”.
Em seguida, suspeitos teriam indicado o contato de um advogado responsável pela entrega, e os policiais entraram em contato com ele. O nome do defensor não foi divulgado.
Leia mais
- PF diz que ex-presidente do INSS recebia R$ 250 mil mensais de propina
- Cunhado de prefeito tik toker fazia ‘contabilidade paralela’ de propina, diz PF

Advogado ofereceu propina
No vídeo gravado pelos policiais, o advogado tenta justificar a posse do dinheiro, alegando questões comerciais e de importação. “Eles fazem importação, pegam muita coisa dentro do contêiner, roupa, brinquedo, final do ano… é tudo documentado. Eu ia trazer as notas fiscais para comprovar.”
“Colegas em Brasília”
Em seguida, ele tenta negociar diretamente com um dos agentes, “Olha, eu me comprometo, minha palavra… a gente resolve isso, ninguém perde. Eu consigo organizar a documentação e comprovar a origem. E aí, se precisar de retenção dos valores ou de qualquer outra coisa, seja 10 [mil] ou se você libera ele, me passa o seu contato aqui. Ele já envia pelo telefone e eu procuro vocês.”
O defensor continua, buscando usar sua posição e contatos para influenciar a equipe. Ele menciona ter ‘colegas em Brasília” que poderiam colaborar com a situação. “Eu conheço colegas em Brasília, posso ligar, apresentar a documentação, tudo certinho… não tem conversa furada. É só uma questão de tempo e de a gente organizar os papéis.”
Mesmo diante das tentativas, os militares mantiveram a apreensão, “Infelizmente, doutor, não podemos liberar nada sem comprovação. Vocês entendem que é nossa obrigação reportar tudo ao superior”, responderam os policiais.

Lavagem de dinheiro e corrupção ativa
A tentativa de convencer os agentes a liberar o dinheiro e os detidos não teve sucesso, configurando, em tese, o crime de corrupção ativa. Diante da gravidade e dos indícios de crimes financeiros, a Polícia Federal assumiu o caso. Enquanto os dois ocupantes do veículo são investigados por lavagem de dinheiro e ocultação de bens, o advogado responderá por corrupção ativa. O valor milionário segue apreendido e à disposição da Justiça Federal para aprofundamento das investigações sobre sua real destinação.
Leia também