FUTURO

Aeroporto, BRT e terminal: investimento chinês valoriza imóveis em Águas Lindas, mas expõe falhas de infraestrutura

Projetos avaliados em R$ 2 bilhões foram anunciados em 2024

Terminal de integração provisório de Águas Lindas (Foto: Divulgação/Codeal)

Os investimentos anunciados por chineses para Águas Lindas de Goiás, que somam cerca de R$ 2 bilhões em projetos de infraestrutura, logística e mobilidade, começaram a produzir efeitos no mercado imobiliário do município. A expectativa em torno da implantação do Polo Industrial Sol Nascente, da construção do Aeroporto Regional e da possível ligação com Ceilândia, no Distrito Federal, impulsionou a valorização de imóveis. Por outro lado, moradores alertam que problemas antigos de infraestrutura urbana, como saneamento e drenagem, ainda precisam de atenção.   

Segundo a corretora de imóveis Analice Sousa, a alta nos preços ocorre de forma gradativa desde a divulgação dos projetos, em 2024. Imóveis que antes eram anunciados por cerca de R$ 150 mil aparecem na faixa de R$ 170 mil, com expectativa de alcançar até R$ 200 mil ao longo deste ano, dependendo da localização e das melhorias previstas. Para ela, o atual cenário ainda favorece quem busca adquirir o primeiro imóvel, considerando que os valores devem aumentar cada vez mais.

As regiões com maior potencial de valorização atualmente são justamente aquelas que concentram maior procura, impulsionadas principalmente pela boa localização, facilidade de acesso e oferta de comércio e serviços. Bairros como o Pérola se destacam pelo comércio local forte e movimentado, fator que atrai tanto moradores quanto investidores.

O Jardim Brasília também aparece entre as áreas mais valorizadas, por reunir lojas conhecidas, ampla oferta de serviços e maior praticidade no cotidiano. As regiões próximas ao Mercadão Goiano, investimento do Governo de Goiás voltado ao fortalecimento do comércio local, também têm despertado interesse crescente de compradores.

Outro bairro apontado por Analice como aposta do mercado é o Querência, favorecido pela proximidade com a prefeitura, com a entrada da cidade e pelo comércio em expansão, elementos que contribuem para o aumento da demanda por imóveis na região.

Os projetos estruturantes fazem parte de uma cooperação econômica intermediada pelo Canal Expresso Brasil–China e estão distribuídos em diferentes frentes. Do total previsto, cerca de R$ 750 milhões devem ser aplicados em mobilidade urbana, R$ 500 milhões na implantação do Aeroporto Regional, mais de R$ 200 milhões no Polo Industrial Sol Nascente e R$ 100 milhões na construção do Terminal de Integração, além de aportes de empresas chinesas. A maior parte desses recursos está prevista para aplicação entre 2025 e 2028, com etapas estruturais já em execução e outras com conclusão prevista ainda em 2026.

Infraestrutura

Apesar do cenário de valorização, antigos desafios urbanos preocupam moradores e investidores. Questões como saneamento básico, drenagem e mobilidade ainda influenciam a decisão de quem pretende morar ou investir na cidade. “Ainda existem desafios, principalmente relacionados ao saneamento básico e à drenagem, o que fica mais evidente em períodos de chuva”, avalia Analice Sousa. O deslocamento diário para o Distrito Federal, principalmente para quem depende do transporte público, também segue como um dos principais entraves.

É nesse contexto que avançam os estudos para a ligação entre Águas Lindas e Ceilândia. Ao Mais Goiás, o presidente da Companhia de Desenvolvimento de Águas Lindas de Goiás (Codeal), André Oliveira, explicou que as análises estão em fase técnica e de viabilidade, sem definição sobre o modal. As opções de BRT e trem de superfície seguem em avaliação, considerando critérios como tempo de deslocamento, capacidade de transporte, acessibilidade, impacto ambiental e sustentabilidade da tarifa. Os estudos devem orientar a aplicação dos recursos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a mobilidade regional.

Outro projeto é o Aeroporto Regional de Águas Lindas de Goiás, inicialmente voltado para operações de carga. A estrutura tem foco em empresas de logística, e-commerce, manutenção aeronáutica e aviação executiva, com previsão de, em médio prazo, também receber voos regionais de passageiros. Para André Oliveira, a infraestrutura tende a atrair empresas, centros logísticos e serviços especializados, com impacto direto na geração de empregos e na renda local.

Atualmente, o aeroporto está na fase de terraplanagem da pista, que já possui cerca de 1.800 metros de extensão e deverá chegar a 2.200 metros. De acordo com o cronograma, os serviços de pavimentação, sinalização e balizamento estão previstos para serem concluídos até o fim de 2026, etapa fundamental para viabilizar o início das operações no terminal.

A geração de empregos está associada principalmente ao Polo Industrial Sol Nascente, que já reúne mais de 60 empresas e prioriza a contratação de mão de obra local, segundo a administração municipal.

Moradora da cidade desde 2007, a professora Anailda Silva de Sousa vê nos investimentos uma oportunidade, mas faz um alerta. “Sem melhorias em saneamento, drenagem, saúde e educação, o crescimento pode acabar agravando problemas antigos”, afirma.

A Codeal, por sua vez, reforça que a gestão municipal acompanha o processo com planejamento urbano e políticas habitacionais para equilibrar desenvolvimento econômico e qualidade de vida. 

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