COMÉRCIO EXTERIOR

Alvo de sanções da China, Japão negocia extração de terras raras com Goiás

Após reuniões com representantes do Japão, governador de Goiás diz que acordos têm que prever transferência de tecnologia para o Estado

Mineradora Serra Verde, em Minaçu: um dos locais de extração de terras raras em Goiás (Foto: Divulgação)
Mineradora Serra Verde, em Minaçu: um dos locais de extração de terras raras em Goiás (Foto: Divulgação)

Alvo de restrições impostas pela China para compra de terras raras na última terça-feira (6), o Japão busca alternativas no Brasil. Um dos acordos em negociação é com o Governo de Goiás. O diálogo começou no primeiro semestre de 2025, com uma viagem do governador Ronaldo Caiado ao território japonês.

Além da viagem ao Japão, Caiado teve um encontro do com ex-embaixador do país no Brasil Teiji Hayashi, em que foram discutidos os termos para um possível termo de cooperação envolvendo Japão e Goiás para exploração de terras raras. O governador ressaltou, durante a audiência, que qualquer acordo deve ter como premissa a transferência de tecnologia e o avanço para etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva, e não apenas a extração do minério.

“Estamos buscando a tecnologia japonesa e um fundo de pesquisa mineral. Com isso, nós queremos transformar as terras raras. E que cumpra todas as etapas, são cinco etapas, para que você tenha a separação dos metais,” disse Caiado em agosto de 2025.

Caiado também afirmou que o governo estadual pode autorizar, em até três meses, o início de “qualquer” pesquisa ou instalação de projetos no estado.

Terras raras em Goiás

As mineradoras com operações de terras raras em Goiás, a Serra Verde (Minaçu) e a Aclara (Nova Roma), realizaram um acordo de financiamento com o DFC, banco estatal dos Estados Unidos no dia15 de janeiro que assegurou empréstimos de US$ 465 milhões (R$ 2,5 bilhões) para ampliação de produção da Serra Verde; e US$ 5 milhões (R$ 27,05 mi) para estudos de viabilidade na Aclara. Os contratos permitem a conversão da dívida em ações, na caso da segunda.

Para os Estados Unidos, a medida visa reduzir a dependência norte-americana da China. O país da Ásia detém 60% da extração de terras raras no mundo e 90% da capacidade de refino. O Brasil possui a terceira maior reserva, atrás do gigante asiático e do Vietnã.

Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos de difícil extração e refino, destinados à transição energética e à defesa.

A Serra Verde é a única mineradora de terras raras em operação no Brasil, além de uma das únicas fora da China. O contrato com o banco não foi divulgado e a empresa informou que não se manifestaria acerca do tema. Contudo, para a Reuters, em dezembro, o presidente da Mineradora, Thras Moraitis, afirmou que o acordo com os chineses foi remodelado para que parte da produção pudesse ir para clientes ocidentais.

“Dentro de alguns anos, teremos algumas opções para separar as terras raras pesadas fora da China”, disse. Atualmente, somente refinarias da China e uma na Malásia podem separar os elementos de terras raras. Trata-se de processo para a obtenção dos óxidos de interesse da indústria automobilística e de defesa.

A ideia da Serra Verde é ampliar para 5 mil toneladas a produção de óxido contido no concentrado de terras raras até 2027 e 10 mil toneladas até 2030. Aí entra o empréstimo.