Amado Batista nega resgate de trabalhadores após entrar na ‘lista suja’ do trabalho escravo; entenda
MTE resgatou 14 identificou 14 trabalhadores em condições análogas à escravidão em duas propriedades do cantor goiano
Depois de ser incluído na “lista suja” do trabalho escravo pelo governo Federal, o cantor goiano Amado Batista se pronunciou por meio da assessoria. O artista negou que houve o resgate de 14 trabalhadores nas duas propriedades fiscalizadas em 2024, em Goianápolis. Conforme o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 10 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravisão no Sítio Esperança, enquanto que outros quatro foram localizados no Sítio Recanto da Mata. Segundo a equipe do sertanejo, todos os funcionários continuam trabalhando para o cantor.
“Ocorreu uma fiscalização em uma fazenda [Sítio Recanto da Mata] ‘arrendada’ pelo senhor Amado para o plantio de milho, na qual foram identificadas irregularidades na contratação de quatro colaboradores. Os trabalhadores, segundo o documento eram vinculados a uma empresa terceirizada contratada para fazer abertura da área de plantio.
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Em relação ao Sítio Esperança, utilizado para criação de bovinos na extração de leite, foram identificadas correções que deveriam ser feitas em relação à moradia e áreas de convivência. As obras, segundo a nota, já foram feitas e finalizadas.
Fazendas fiscalizadas
Amado é um dos 10 novos nomes goianos a ingressar a lista em 2026, composta por pessoas físicas e jurídicas relacionadas a casos fiscalizados nos últimos seis anos. De acordo com o MTE, as propriedades vinculadas ao cantor foram fiscalizadas durante o período de 19 a 29 de novembro de 2024, durante visita da Polícia Civil de Goiás (PCGO), após uma denúncia sobre possíveis irregularidades trabalhistas.
Resgate no campo
No Sítio Recanto da Mata, quatro trabalhadores teriam sido resgatados em condições degradantes e jornada exaustiva. Fato negado pelo cantor. Conforme o MTE, a propriedade de cultivo de milho foi arrendada. Nela, o artista teria contratado um prestador de serviços, responsável por empregar quatro operadores de máquinas, que pernoitavam em um galpão.
Ainda segundo o órgão federal, quando a fiscalização chegou à fazenda de cultivo, as atividades estavam paralisadas, e dois trabalhadores recolhiam seus pertences para deixar o local, após serem informados da realização de uma inspeção na propriedade. O ambiente de trabalho era precário, não havendo condições de moradia, analisou o MTE.
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“O local não dispunha de camas, sendo que os trabalhadores dormiam no sobre colchões no chão. Não eram fornecidas roupas de camas e nem disponibilizados armários individuais para guarda de objetos pessoais. As condições de higiene do local eram precárias, sendo que sequer havia local para se tomar refeições, com mesas e cadeiras”, informou.
Nas entrevistas realizadas com os trabalhadores, eles teriam informado que trabalhavam no sítio havia cerca de dois meses, sem registro, e que ainda não tinham recebido os salários do mês anterior. Os dois relataram para a equipe que cumpriam uma jornada de trabalho entre 12h a 16h durante todos os dias da semana.
Propriedade vizinha
Já no Sítio Esperança, 10 pessoas foram encontradas em situação de jornada exaustiva de trabalho. As duas fazendas são vizinhas. Na área destinada à produção de leite, a equipe inicialmente não identificou indícios de trabalho forçado ou degradante. No entanto, posteriormente, foi constatado que as jornadas chegavam a até 18 horas diárias.
Ajustamento de conduta
De acordo com a assessoria, Amado Batista assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPT, arcando com valores impostos pelo órgão e pagando os colaboradores. O artista também tomou providências administrativas, a fim de encerrar o procedimento de autuação.

Veja nota de Amado Batista:
“Primeiramente, a informação veiculada que de houve o “resgate” de 14 trabalhadores na propriedade do Senhor Amado é COMPLETAMENTE FALSA E INVERÍDICA! Não HOUVE RESGATE de nenhum trabalhador nas propriedades. Todos os funcionários continuam trabalhando na propriedade normalmente!
Ocorreu uma fiscalização em uma fazenda “arrendada” pelo senhor amado para o plantio de milho, na qual foram identificadas irregularidades na contratação de 4 colaboradores que eram empregados de uma empresa terceirizada que fora contratada para fazer a abertura da área de plantio.
O Fato ocorreu em 2024, foi assinado um TAC com MPT, na qual todas as obrigações dos colaboradores foram integralmente pagas e quitadas.
Outrossim, já estão sendo tomadas todas as providências administrativas para o encerramento de todo e qualquer procedimento de autuação”.