SUPERAÇÃO

Açougueiro supera dependência e cria técnicas para seguir na profissão após perder braço em Anápolis

Eduardo Machado ficou oito dias em coma após sofrer fraturas por todo o corpo em acidente de moto em 2021. Cinco anos depois, ele se orgulha das próprias conquistas

Açougueiro de Anápolis supera limitações após perder braço em acidente
Açougueiro de Anápolis supera limitações após perder braço em acidente (Fotos: cedidas ao Mais Goiás)

Após perder o braço direito em um grave acidente de moto em Anápolis, o açougueiro Eduardo Machado, de 33 anos, precisou superar a dependência de terceiros e criar técnicas próprias para continuar na profissão. Cinco anos depois do acidente, ele se orgulha das conquistas obtidas com ajuda da fé, apoio de familiares e muita dedicação própria. Para se manter na atividade, ele revela ter estabelecido novas práticas no estabelecimento, as quais lhe garantem autonomia suficiente para conduzir o açougue, do trato do gado na chácara do pai, no preparo das peças, até a venda dos cortes, sozinho. Mas o otimismo que carrega hoje, é fruto de da vitória sobre diversos desafios. “Me deram apenas 5% de chance de sobreviver, hoje tem pouca coisa que não faço sozinho”.

O acidente aconteceu em maio de 2021, quando Eduardo voltava para casa após fazer um depósito bancário. Segundo ele, um carro o fechou na pista e a moto acabou atingindo um caminhão parado no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia). “Quando bati na lateral do caminhão, o meu braço ficou e eu caí para frente. Neste acidente, quebrei o fêmur, a patela do joelho, a canela em três lugares, quase todas as costelas. Tive os dois pulmões perfurados, acabei batendo a cabeça e derramou sangue no cérebro [traumatismo craniano]. Quando cheguei no hospital, os médicos disseram para a minha irmã que eu tinha menos de 5% de chances de sobreviver”, relembra.

LEIA TAMBÉM

Recuperação após perder o braço

Além da amputação do braço, Eduardo sofreu fraturas em várias partes do corpo e ficou oito dias em coma. Segundo ele, o processo de recuperação após a alta hospitalar foi ainda mais difícil do que o próprio acidente. Acostumado a uma rotina ativa, o açougueiro conta que passou a depender de ajuda até para tarefas básicas, como se movimentar na cama e ir ao banheiro.

“Eu tive noites de chorar e me perguntar como seria minha vida dali para frente. Mas sempre tive Deus no coração e sabia que ia encontrar uma saída”, afirmou.

Profissão: açougueiro

Durante a recuperação, Eduardo contou com o apoio da família, principalmente da mãe, que passou a ajudá-lo também no açougue. Segundo ele, ela teve papel fundamental no processo de adaptação após o acidente. “Minha mãe se tornou meus dois braços no açougue. Ela que me apoia, que está comigo, que é a minha açougueira. No período do acidente, estava cursando farmácia e, graças aos meus pais e a Deus, eu consegui me formar. Era uma segunda opção, caso eu não conseguisse mais trabalhar em açougue”, afirma.

Segundo Eduardo, o medo de não conseguir voltar ao trabalho foi uma das maiores dificuldades enfrentadas durante a recuperação. Eduardo afirma que chegou a acreditar que nunca mais conseguiria trabalhar no açougue após perder o braço direito. Inicialmente, a mãe precisava segurar as peças de carne enquanto ele tentava reaprender o serviço usando apenas o braço esquerdo.

Novas técnicas no açougue

Com o tempo, porém, ele percebeu que a situação poderia provocar novos acidentes e passou a desenvolver técnicas próprias para conseguir trabalhar sozinho. Para isso, começou a utilizar ganchos e cordames na rotina do açougue. Com esses recursos ele consegue erguer peças e realizer os cortes necessários sem ajuda de terceiros.

“Eu faço o que posso no açougue. Hoje também sou noivo e a minha noiva largou tudo para me ajudar aqui também. Minha vida começou a caminhar depois do acidente. Faço de tudo, como tratar o gado na chácara do meu pai. São poucas coisas que não consigo fazer sozinho”, conclui.