Menino baleado em Palmeiras de Goiás acorda, volta a falar e pede para morar com os avós
Criança de 10 anos foi extubada após mais de duas semanas de internação; Polícia Civil investiga circunstâncias dos disparos
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Um menino de 10 anos atingido por três disparos de arma de chumbinho na cabeça apresentou melhora após mais de duas semanas internado no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. A criança saiu da sedação, foi extubada e já consegue se comunicar com familiares. Durante a recuperação, manifestou o desejo de ir para a casa dos avós, em Anápolis.
O caso aconteceu no dia 14 de setembro, em uma propriedade rural de Palmeiras de Goiás. As circunstâncias em que o garoto foi ferido são investigadas pela Polícia Civil. A versão apresentada inicialmente pela mãe à Polícia Militar era de que a própria criança teria provocado acidentalmente o disparo. A investigação, porém, identificou elementos considerados incompatíveis com essa hipótese.
Segundo o avô paterno, Josmar Dias, o menino vem apresentando evolução no quadro clínico. Após permanecer vários dias intubado, ainda tem dificuldade para falar, mas consegue manifestar vontades e perguntar pelos familiares.
O garoto também demonstrou vontade de deixar o hospital e ficar com os avós. Conforme o relato do avô, ele pergunta pelo pai e pelos avós e já consegue pedir coisas simples, como chá.
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O pai biológico da criança vivia em Portugal e retornou ao Brasil depois de ser informado sobre o ocorrido. Desde então, ele e o avô acompanham a recuperação do menino no Hugol.
Três disparos na cabeça
A investigação ganhou outro rumo depois que os ferimentos da criança foram analisados. Segundo o delegado André Veloso, responsável pelo caso, foram constatados três disparos em pontos diferentes da cabeça: dois na região frontal e um na lateral.
Para a Polícia Civil, a disposição dos ferimentos não é compatível com a versão de que a criança teria efetuado acidentalmente os disparos contra si mesma. Os investigadores também identificaram inconsistências nos relatos prestados pelas pessoas que estavam responsáveis pelo menino naquele dia.

Durante o atendimento no Hugol, dois dos três projéteis foram retirados pela equipe médica. O terceiro permaneceu alojado porque, segundo as informações divulgadas, a retirada representaria risco para a criança.
A arma de chumbinho foi apreendida. A Polícia Civil também recolheu celulares dos investigados para análise e tenta esclarecer a dinâmica dos disparos e quem teria sido responsável por atingir o menino.
Investigação
A mãe da criança, Caroline Souza Cirino, o padrasto, Tiago Lopes Cirino, e José Rodrigues, proprietário da fazenda onde a família morava, foram presos durante a investigação por suspeita relacionada à tentativa de homicídio. O inquérito ainda está em andamento e não há condenação dos investigados.

A defesa de Caroline afirma que a medida decretada contra ela tem natureza cautelar e não representa reconhecimento de culpa. Também sustenta que não há prova de autoria ou de intenção da investigada de cometer o crime.
Já a defesa de Tiago Lopes Cirino e José Rodrigues de Morais nega a participação dos dois no episódio. Os advogados afirmam que ambos colaboram com as autoridades e aguardam a conclusão das investigações para que as circunstâncias dos disparos sejam esclarecidas.