CASO DAIANE

Antes de tragédia, Daiane denunciou síndico em áudio: ‘bateu em idoso e atirou em cachorro’

Daiane enviou áudio a amiga dizendo que Cleber já havia se envolvido em casos de assédio sexual, violência contra idosos e até maus-tratos contra animais

Imagem da vítima e do suspeito
Suspeito de matar a corretora Daiane Alves, Cléber Rosa de Oliveira foi preso após confessar o crime (Foto: divulgação e Jucimar de Sousa)

O síndico Cleber Rosa de Oliveira, que confessou o assassinato e ocultação de cadáver da corretora Daiane Alves Souza, já havia sido acionado na Justiça por moradores do condomínio onde o crime ocorreu, em Caldas Novas. Antes de ser executada, a vítima chegou a comentar sobre as ações movidas contra síndico do bloco Ametista do Condomínio Golden Thermas Residence.

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Áudios de Daiane obtidos pelo Mais Goiás afirmam que ele se envolveu em episódios de assédio sexual contra moradoras, além de violência contra idosos do residencial e até animais, tendo atirado em cachorros da cidade. A reportagem teve acesso a 12 processos envolvendo Cleber, que confirmam a violência praticada pelo síndico contra um idoso, de 77 anos.

No documento de 13 de fevereiro de 2025, Daiane afirma que o padrasto foi agredido e, em seguida, trancado por Cleber em uma sala – o que caracteriza cárcere privado – no dia 26 de março do mesmo ano. O idoso teria interferido em um episódio em que a enteada foi agredida com um tapa no rosto pelo investigado.

“Essa história está no fim. Quem bateu em idoso não fui eu. Quem extorquiu idoso não fui eu. Quem bateu em mulher não fui eu. Quem atirou em cachorros não fui eu. Inclusive, ele está sendo processado por isso”, afirma Daniane em áudio enviado à amiga.

Ao todo, Cleber é réu em ao menos três processos cíveis movidos por moradoras e moradores. Em um dos casos, houve condenação em primeira instância. Na ação movida desde 2024, a Justiça entendeu que a moradora teve prejuízo após mudanças feitas no projeto arquitetônico do condomínio sem autorização, o que fez com que ela perdesse o imóvel. 

Cleber e a associação de proprietários que administra o prédio foram condenados solidariamente ao pagamento de indenização por danos materiais e morais. Segundo a decisão, a mulher havia comprado e quitado uma unidade, que deixou de existir após mudanças no projeto arquitetônico. O espaço onde ficava o imóvel teria sido transformado em área comum, como academia e recepção, sem compensação financeira.

O síndico e a associação recorreram da condenação em julho de 2025. O Tribunal de Justiça de Goiás manteve a condenação em segunda instância. O processo ainda não transitou em julgado.

Outra ação, ainda em primeira instância, acusa o síndico de mudar o projeto sozinho. No processo, também iniciado em 2024, dois moradores afirmam que as mudanças teriam eliminado unidades imobiliárias do condomínio. O documento ainda questiona a forma como Cleber assumiu o cargo. 

Os autores citam uma decisão anterior da Justiça que declarou nula uma assembleia que o colocou na presidência da associação. O caso ainda está em andamento. A irmã de Daiane também acionou o síndico por suposta intimidação. Em junho de 2025, ela entrou com ação no Juizado Especial Cível de Caldas Novas, alegando que Cleber praticou atos de coação, intimidação e teria divulgado informações pessoais da família.

A irmã da corretora chegou a solicitar uma decisão para impedir perseguições e a divulgação de imagens ou informações pessoais. O pedido foi negado pelo juiz, que entendeu não haver provas suficientes para a concessão da medida naquele momento. O mérito da ação ainda não foi julgado.

Síndico rebate 

Em áudios enviados à irmã de Daiane, Cleber afirma que a corretora teria descumprido regras do condomínio e desrespeitado funcionários, o que, segundo ele, teria tornado a situação “insustentável”. Na gravação, Cleber também diz que decidiu encerrar o diálogo com Daiane. “Com ela, eu acredito que nunca mais eu vá conversar”, 

Cleber nega as acusações em todos os processos. Procurada, a defesa do síndico informou que aguarda o fim das investigações e que não se manifestará até a conclusão do inquérito policial (veja nota completa abaixo).

Cleber e o filho dele, Maicon Douglas de Oliveira, foram presos em janeiro dentro de casa durante operação da Polícia Civil (PC). Após a prisão, na manhã do dia seguinte, o síndico confessou o crime e mostrou à corporação onde havia escondido o corpo da mulher. Posteriormente, foi constatado que ela foi morta com um tiro na cabeça. 

Nota da defesa de Cleber

“O escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, representando os interesses do Sr. Cleber Rosa de Oliveira, vem informar que a defesa técnica aguarda o fim das investigações, de modo que não se manifestará sobre as circunstâncias e demais elementos do caso até a conclusão do inquérito policial. Todavia, reitera que o Sr. Cleber permanece colaborando com a Autoridade Policial”.