APROXIMAÇÃO

‘Ainda não consigo chamá-lo de pai’, diz filha após encontro em Aparecida

Após 42 anos, pai e filha tiveram o primeiro contato durante um velório

Juliana Bento ao lado do pai (Foto: arquivo enviado ao Mais Goiás)

Em entrevista ao Mais Goiás, a corretora de imóveis Juliana Bento, 42, afirmou que a relação com o pai biológico ainda precisará de tempo para ser construída. Os dois se conheceram na última segunda-feira (16), durante um velório em Aparecida de Goiânia, e voltaram a se encontrar dias depois para uma conversa. Apesar do desejo de aproximação, ela diz que ainda enfrenta dificuldades para lidar com o novo vínculo. “Ainda não consigo chamá-lo de pai ou dar um abraço nele como filha, mas acredito que, aos poucos, a gente vai se aproximando”, afirmou.

Após o primeiro contato, pai e filha se reencontraram na quinta-feira (19), na casa de Walmir, onde tiveram uma conversa mais longa. Segundo Juliana, ele pediu perdão, disse que se arrepende de não ter procurado a filha antes e afirmou que deseja construir uma relação a partir de agora, respeitando o tempo dela.

Sem revelações sobre o passado

Mesmo após o encontro, Juliana afirma que ainda sabe pouco sobre o passado. De acordo com ela, Walmir não entrou em detalhes e disse não saber exatamente por que o relacionamento com a mãe dela chegou ao fim. Os dois teriam namorado, mas se separado quando ela ainda estava grávida de três meses.

Depois disso, ele se mudou da cidade onde vivia, enquanto a mãe de Juliana seguiu a vida, casou-se com outra pessoa e também mudou de endereço. Walmir afirmou que tinha conhecimento da gravidez, mas optou por não procurá-la na época por respeito ao novo relacionamento da mãe.

Ao longo dos anos, segundo Juliana, o pai disse que tentou encontrar a mãe dela, acreditando que, por meio dela, conseguiria chegar até a filha. “Ele falou que não me procurou diretamente porque não sabia meu nome, só o da minha mãe”, explicou.

A corretora também destacou que a falta de contato pode ter sido agravada pela dificuldade do pai com tecnologia. Segundo ela, Walmir não utiliza redes sociais e tem apenas WhatsApp, chegando a precisar de ajuda até para enviar a localização da própria casa.

Aproximação com outros familiares

O reencontro também permitiu que a corretora conhecesse a família paterna. Após a conversa, Walmir levou Juliana até a casa de um dos irmãos, que mora na mesma rua, e fez chamadas de vídeo com outros parentes. Ao todo, ele tem oito irmãos, e parte da família já demonstrou interesse em conhecê-la.

Uma comemoração está sendo organizada para o dia 7 de abril, data do aniversário de Juliana. A ideia é reunir familiares para que todos possam conhecê-la pessoalmente. “Eles ficaram muito felizes com a minha chegada. Fui muito bem recebida”, disse.