Cavalos visitam pacientes e viram aliados na recuperação em hospital de Aparecida
Visitas do Regimento de Cavalaria da PM ocorrem uma vez por mês e, segundo equipe do HMAP, ajudam a melhorar o humor e o envolvimento dos pacientes com o tratamento
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Uma vez por mês, os corredores e enfermarias do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP) ganham a visita dos cavalos do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar de Goiás. A atividade permite que pacientes internados tenham contato com os animais e, quando há liberação médica, possam até montar. Segundo a equipe multiprofissional do hospital, a experiência tem ajudado principalmente no humor e no envolvimento dos pacientes com o tratamento.
A visita ocorre sempre na última quinta-feira de cada mês e faz parte do calendário de ações de humanização do hospital. A participação é voluntária e depende da avaliação dos profissionais de saúde.
Para Gean Carlos Alves Moraes, coordenador multiprofissional do HMAP, a mudança no comportamento dos pacientes costuma ser percebida logo após o contato com os animais. Eles passam a sorrir, conversar e demonstram interesse em tocar ou montar nos cavalos.
“O principal ponto observado pela equipe assistencial foi a melhora do humor e maior adesão ao tratamento, como se o cavalo trouxesse para esses pacientes uma perspectiva de melhora. Eles começam a sorrir e interagir, querem tocar e muitos manifestam o desejo de montar no cavalo que trás um turbilhão de sentimentos, alegria, coragem, amor”, afirma.
A resposta também é percebida pela equipe que acompanha os pacientes. Segundo Gean, médicos e outros profissionais relatam que, depois das visitas, alguns ficam mais participativos e envolvidos com o próprio tratamento.
Paciente amputada monta a cavalo
Um dos casos que mais chamou a atenção da equipe foi o de uma paciente que havia passado por uma amputação de membro inferior. Durante a visita, ela conseguiu montar em um dos cavalos. Para Gean, a experiência ajudou a paciente a enxergar a própria condição de outra maneira.
“Ela teve uma nova percepção sobre o seu quadro, entendendo que o fato da amputação não mudaria ou impossibilitaria suas conquistas futuras”, conta.
Outro momento marcante aconteceu durante a visita a um paciente que estava em cuidados paliativos. Segundo o coordenador, o cavalo escolheu o leito onde entraria e acabou criando uma interação com o homem. Depois da visita, o filho contou aos profissionais que o pai havia trabalhado a vida inteira com cavalos. A coincidência tornou aquele encontro ainda mais significativo para a família.
Crianças e pacientes em cuidados paliativos
Embora a atividade seja oferecida de acordo com a avaliação de cada paciente, Gean destaca que crianças e pessoas em cuidados paliativos costumam reagir de forma especialmente rápida ao contato com os animais.
Para pacientes que enfrentam longos períodos de internação, a atividade também representa uma quebra na rotina hospitalar. O contato com o cavalo proporciona um momento fora do ambiente habitual de exames, medicamentos e procedimentos.
Como funciona a visita?
A quantidade de cavalos e policiais envolvidos muda conforme a programação. Em ações menores, normalmente um animal é acompanhado por três policiais militares, que ficam responsáveis pela condução e pela segurança durante a atividade. Quando há uma demanda maior, a equipe pode levar mais animais e profissionais.
Os cavalos utilizados passam por uma seleção para garantir que tenham comportamento tranquilo e possam permanecer em um ambiente hospitalar. A égua Luziânia, de nove anos, é a principal participante das atividades e a mais experiente do regimento nesse tipo de ação.
A parceria entre o HMAP e a Cavalaria da PM existe há mais de um ano. A iniciativa começou de forma experimental e foi ampliada depois que a equipe percebeu o interesse dos pacientes e das famílias.
O projeto também já foi realizado em outras unidades de saúde de Goiás, como o Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (HECAD), o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) e o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT).