FRAUDE

Aparecida: ex-superintendente usou filha, esposa e sogros para desviar recursos públicos

Valdemir Souto de Souza fraudou contratos para benefício próprio durante três anos. Crimes ocorreram entre 2013 e 2016

Aparecida: ex-superintendente usou filha, esposa e sogros para desviar recursos públicos (Foto: Divulgação)
Aparecida: ex-superintendente usou filha, esposa e sogros para desviar recursos públicos (Foto: Divulgação)

Iniciado em meados de 2013, o esquema de desvios e fraudes em licitação envolvendo o ex-chefe da Superintendência Municipal de Trânsito e Transportes de Aparecida de Goiânia (SMTA), Valdemir Souto de Souza, se arrastou por três anos. Ele foi condenado pela Justiça goiana a cinco anos e oito meses de prisão por chefiar o grupo que se beneficiou com os crimes, incluindo a esposa e a sogra.

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Conforme a decisão da juíza Placidina Pires, da 1ª Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e de Lavagem ou Ocultação de Bens, Direitos e Valores, Valdemir chegou a usar a própria filha como laranja. Na época, a jovem tinha 16 anos. Ele também contou com a participação do sogro, que operava como braço direito no esquema e testemunha social da empresa de fachada. 

Para conseguir o feito, o então superintende da SMTA e a esposa, Tatiane Cristina Guimarães Souto, pediram para que a adolescente e a matriarca Maria Luíza da Abadia constituíssem uma sociedade empresária, que viria a ser registrada sob o nome empresarial GS – TRANSPORTES E SINALIZAÇÃO LTDA. 

O contrato social ideologicamente falso foi firmado no dia 1º de abril de 2016. Porém, embora anunciada como empresa, o endereço do CNPJ era o mesmo da residência de Valdemir e família – fato que reforçou os indícios criminais que culminaram na denúncia e, posteriormente, na condenação da organização criminosa. 

Embora tenha começado a praticar efetivamente as fraudes em 2013, a SMTA, sob comando de Valdemir, pagou nos anos de 2010, 2011 e 2012, aproximadamente R$ 105.600 a sogra do ex-chefe do órgão. Maria Luiza alugava um caminhão toco para a hoje Secretaria Executiva de Mobilidade. No entanto, conforme a decisão, Valdemir era o verdadeiro proprietário do veículo e o destinatário final do dinheiro público desviado.

De acordo com Tabela Fipe, atualmente o caminhão está avaliado em R$ 31.997, mas no ano de 2010, a SMTA pagava a Maria R$ 6.600 mensais. Assim como a mãe e a filha, a esposa do ex-superintendente também era responsável por lavar o dinheiro do grupo, dando continuidade ao enriquecimento da organização.

Daniela realizava negócios jurídicos e movimentações financeiras, no intuito de encobrir a origem ilícita do dinheiro proveniente dos contratos entre a SMTA e a GS. Entre as manobras do bando estavam transações financeiras variadas e sucessivas, como saques e depósitos em dinheiro e transferências eletrônicas, de modo a caracterizar “operações casadas”. 

Após as operações, Valdemir e Tatiana reintegraram os valores ao mercado financeiro, por meio de aquisição de bens móveis e imóveis. A filha do casal também recebia valores provenientes dos crimes. Porém, como era menor de idade na época dos fatos, acabou sendo absolvida das acusações.