Bebê com cardiopatia grave será transferido de Goiás para hospital referência em São Paulo
Bebê de quatro meses será transferido para o Instituto Dante Pazzanese. Hospital é referência em tratamentos de cardiopatia
O bebê Enrico dos Santos Silva, de 4 meses, terá a transferência para o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, realizada nesta quarta-feira (28). A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). A criança, internada desde o nascimento na UTI do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), precisa dar continuidade a um tratamento cirúrgico de alta complexidade que não pode ser feito no território goiano.
Enrico nasceu com Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo, uma das cardiopatias congênitas mais graves, caracterizada pelo desenvolvimento incompleto do lado esquerdo do coração, responsável por bombear o sangue para todo o corpo. A condição exige um tratamento paliativo dividido em três etapas cirúrgicas ao longo da infância.
Segundo a SES-GO, o bebê ficará internado em Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica no hospital paulista, referência nacional em cardiologia. A transferência ocorre após semanas de mobilização da família, que chegou a acionar o Ministério Público para garantir o encaminhamento ao centro especializado.
Estado de saúde e necessidade da transferência
De acordo com a equipe médica do Hugol, Enrico está clinicamente estável no momento, respirando sem ajuda de aparelhos e sem necessidade de medicamentos para manter a pressão arterial. Apesar disso, o quadro é considerado de altíssimo risco, já que qualquer piora pode ocorrer de forma súbita em crianças com esse tipo de cardiopatia.
O coordenador da cardiologia pediátrica do Hugol, Tiago Dietrich, explicou que a próxima cirurgia não é de emergência imediata, mas precisa ser feita em um hospital com estrutura avançada. “Ele está na categoria de cirurgia eletiva, programada. No entanto, é um procedimento extremamente complexo, que exige recursos como a ECMO, um equipamento que funciona como coração e pulmão artificiais, e que não está disponível no HUGOL”, detalhou.

A oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) é fundamental em casos de falha cardíaca ou respiratória após cirurgias desse porte e está disponível apenas em poucos centros do país, principalmente em São Paulo.
Histórico do tratamento
A primeira etapa do tratamento foi realizada em setembro de 2025, quando Enrico passou por uma cirurgia de peito aberto com menos de um mês de vida. Dias depois, ele precisou de um procedimento complementar. As intervenções permitiram que o bebê ganhasse peso, respirasse sem aparelhos e atingisse um quadro de maior estabilidade.
Agora, ele vai passar pla segunda fase do tratamento, que envolve a ampliação da aorta e a ligação da veia cava superior à artéria pulmonar, reorganizando a circulação do sangue. A terceira e última etapa costuma ser realizada apenas entre os três e quatro anos de idade.
Angústia da família
A mãe de Enrico, Pollyane Morgane, relata que a cardiopatia foi descoberta ainda durante a gravidez e que, desde o nascimento, o filho permanece internado. “Descobri o problema no pré-natal. Ele nasceu e já foi direto para o Hugol. Desde então, vivemos um dia de cada vez, sempre na expectativa”, contou.
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Ela afirma que, apesar dos esforços da equipe médica em Goiânia, a transferência era indispensável. “A equipe aqui faz tudo o que pode, mas essa cirurgia precisa ser feita em outro lugar. Foram dias muito difíceis, de muita apreensão”, desabafou.
Além da preocupação com a saúde do bebê, a família enfrenta dificuldades financeiras. Pollyane precisou deixar o trabalho para acompanhar o filho no hospital, enquanto o pai divide a rotina entre o emprego e os cuidados com a outra filha do casal, de cinco anos.