Segunda-feira, 05 de Outubro de 2026
MUDANÇA DE ROTA

Biomédica troca laboratório por colmeias e produz quase meia tonelada de mel com a mãe em Goiás

Andreza voltou à fazenda da família e encontrou na apicultura uma nova profissão

Luanna Marques
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
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Quando Andreza Oliveira, 32, decidiu colocar caixas de abelhas na fazenda da família, em Edealina, no sul de Goiás, os pais ficaram preocupados com as possíveis ferroadas. A ideia acabou adiada por um ano. Na tentativa seguinte, porém, ela voltou de um curso de apicultura já com as primeiras caixas compradas. Hoje, a biomédica divide o manejo das colmeias com a mãe e viu a produção se aproximar de 500 quilos de mel neste ano.

A apicultura entrou na vida de Andreza depois de uma mudança que ela não havia planejado. Formada em Biomedicina, deixou a propriedade rural dos pais para estudar em Goiânia e, depois da graduação, conseguiu emprego em um laboratório em Pontalina. Ficou dois anos no trabalho e ainda conciliou a rotina com duas pós-graduações.

O laboratório fechou em dezembro de 2019. Andreza voltou para Goiânia em busca de outro emprego, mas poucos meses depois veio a pandemia. Com mais tempo na fazenda da família, começou a procurar uma atividade que pudesse desenvolver por conta própria no local onde havia crescido.

Foi assim que encontrou um curso gratuito de apicultura. Sem experiência com criação de abelhas, decidiu participar por curiosidade. O primeiro treinamento, feito em Goiânia em 2023, acabou mudando seus planos. “Fui lá e fiz o curso. Eu me apaixonei. Gostei de todos os manejos, de todos os processos”, contou ao Mais Goiás.

Hoje, Andreza considera que a mudança de profissão também foi uma forma de voltar às raízes e encontrar novas possibilidades na fazenda da família. “A gente vê que pode fazer a diferença ali. Não precisa estar fora para fazer. A gente pode participar, pode estar presente”, afirmou.

Convencer a família foi a etapa seguinte. Andreza explicou aos pais que queria montar um apiário, mas o medo das ferroadas falou mais alto naquele momento. O projeto ficou parado até que, cerca de um ano depois, vizinhos a convidaram para outro treinamento. Dessa vez, ela decidiu que começaria de qualquer maneira e comprou as primeiras caixas do próprio professor.

(Foto: Arquivo enviado ao Mais Goiás)

Quase 500 kg de mel em um ano

Com a ajuda do pai, montou os cavaletes e colocou nas caixas um atrativo à base de erva-cidreira. Quando retornou ao local uma semana depois, encontrou oito delas ocupadas por enxames. A primeira colheita aconteceu em 2025. Neste ano, o apiário chegou a 16 caixas e a produção passa de 480 kg de mel.

Depois de iniciar a criação, Andreza também passou a receber assistência técnica e gerencial do SENAR Goiás. Segundo ela, o acompanhamento ajudou na organização do apiário e no manejo das colmeias. “Ela me instruiu a fazer as caixinhas, me instruiu a fazer as riscas, então foi todo o acompanhamento”, relatou.

O mel passou a ser vendido em bisnagas e também em versões com castanhas, além de outros produtos. A produção, que começou como uma experiência, passou a fazer parte da rotina de trabalho da família. Agora, Andreza tem como meta chegar a 1 tonelada de mel e ampliar as vendas para supermercados e empórios.

(Foto: Arquivo cedido ao Mais Goiás)

Sucessão familiar

Dentro de casa, o receio com as abelhas não desapareceu para todos. O pai ajuda a construir caixas e fazer reparos, mas prefere não entrar no apiário. O irmão também mantém distância. Quem veste a roupa de proteção e segue com Andreza para cuidar das colmeias é justamente a mãe, Janete, que inicialmente estava entre as pessoas preocupadas com a ideia.

A atividade acabou criando também uma parceria entre mãe e filha e passou a representar uma forma de sucessão familiar na propriedade.

Para Andreza, uma das partes mais gratificantes do trabalho é justamente acompanhar o resultado de meses de dedicação. Depois que o mel é retirado dos favos, ele passa pelo processo de extração até chegar ao produto final.

A biomédica que deixou a cidade para voltar à fazenda agora pretende ampliar o apiário e transformar o que começou como uma experiência em uma atividade cada vez mais presente na propriedade da família.

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