Bombeiros de Goiás orientam como agir em casos de ataques de piranhas em lagos e rios
Dois adolescentes foram mordidos por piranha em área rasa. Corporação orienta prevenção, primeiros socorros e atenção redobrada
Após ataque de piranha registrado no fim de semana, que deixou dois adolescentes feridos no Lago Corumbá, em Caldas Novas, o Corpo de Bombeiros orienta banhistas sobre como prevenir e agir em casos deste tipo de ocorrência. O capitão Madeira, porta-voz da Operação Carnaval 2026, explica que a primeira medida é retirar a vítima da água para evitar novos ataques. Em seguida, pressionar o ferimento com pano limpo para conter o sangramento e lavar apenas com água corrente e sabão neutro, sem esfregar.
“Também orientamos acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 para que a pessoa receba atendimento adequado o quanto antes. Mesmo quando o ferimento parece leve, é indispensável avaliação médica, pois a água de rios e lagos pode conter bactérias que causam infecções”, ressalta o capitão.
No caso do ataque aos adolescentes, de 15 e 16 anos, os ferimentos foram leves, sendo que um sofreu um corte no calcanhar e o outro, no dedo do pé. Os dois foram encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Caldas Novas para avaliação médica e liberados para seguir com a recuperação em casa.
Embora a maioria das ocorrências resulte apenas em ferimentos leves, o bombeiro reforça que há possibilidade de casos graves, especialmente quando a vítima permanece na água após a primeira mordida ou apresenta sangramento intenso. “No atendimento de saúde, será verificada a necessidade de vacina antitetânica, sutura ou outros procedimentos”, destaca.
Como evitar ataques de piranhas
Os bombeiros reforçam que a prevenção é a melhor proteção. Entre as recomendações:
- evitar permanecer por muito tempo em áreas rasas;
- não nadar próximo a píeres, pontos de pesca ou locais com restos de alimento na água;
- não entrar no lago com ferimentos abertos ou sangrando;
- sair da água imediatamente ao perceber qualquer mordida ou movimento incomum de peixes;
- evitar alimentar peixes, prática que pode atrair cardumes;
- não usar objetos brilhantes ou chamativos na água, que podem despertar curiosidade dos animais.
- Nova espécie de piranha brasileira é batizada de Juma
- Homem perde parte do dedo após ataque de piranhas em lago de Buriti Alegre
Placas de aviso já foram instaladas na orla do lago Corumbá alertando sobre o risco. A corporação destaca que ataques são raros e geralmente acontecem quando há alimento na água, movimentação intensa ou presença de sangue, fatores que estimulam o comportamento das piranhas.
Piranhas sofrem difamação
Estudos indicam que as piranhas podem ser vítimas de uma verdadeira “difamação histórica”: a fama de assassinas teria sido inflada por mitos, relatos exagerados e vídeos sensacionalistas que circulam há décadas. É o que aponta o levantamento da médica-veterinária Patrícia Tatiane Gomes, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.
A pesquisa analisou 711 ocorrências registradas no Brasil entre 2012 e 2022 e mostra que acidentes graves são raríssimos, sendo apenas 0,7%, e que não há registro comprovado de mortes humanas causadas por esses peixes. Em 82,27% dos casos, as lesões foram leves, geralmente uma única mordida superficial.
A pesquisa aponta que a maioria dos incidentes acontece quando as piranhas estão defendendo ninhos durante o período reprodutivo, de setembro a janeiro, e que a ideia de cardumes devorando animais vivos em minutos é um mito sem comprovação científica. Segundo a autora, vídeos que mostram frenesi alimentar costumam envolver carcaças com sangue ou matéria em decomposição, o que atrai os peixes, situação bem diferente de um banhista comum na água.