Cachorro ferido com óleo quente: MP-GO avalia não propor acordo
Cachorro teve 40% do corpo queimado após ser atingido com líquido quente. Decisão pode influenciar outros casos de violência contra animais
O caso do cachorro Johnny, que teve cerca de 40% do corpo queimado após uma mulher jogar líquido quente enquanto ele dormia em uma calçada, pode ter um desdobramento mais rigoroso na Justiça, em Goiânia. O Ministério Público de Goiás (MPGO) avalia não aplicar o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), medida que poderia evitar uma ação criminal mais pesada contra a suspeita.
A informação foi confirmada pelo advogado Diego Sanchez, que acompanha o caso, e foi recebido pelo promotor Juliano de Barros Araújo, titular da 15ª Promotoria de Justiça de Goiânia e especialista em Direito Ambiental durante uma manifestação realizada na segunda-feira (13), em frente ao MPGO, para cobrar justiça para casos recentes de violência contra animais e exigir medidas mais efetivas do poder público.
“Fomos recebidos pelo promotor e ele adiantou que o ANPP pode ser afastado. Ainda é cedo para comemorar, mas já é um avanço importante diante do que esperamos que é a responsabilização efetiva pelo crime. Ele destacou que existe base jurídica para isso e que, neste caso, a conduta pode ser tratada de forma mais rigorosa”, afirmou o advogado.

O caso de Johnny se tornou um dos principais símbolos recentes da luta contra maus-tratos a animais em Goiás. O cachorro teve cerca de 40% do corpo queimado após Cacilda Ferreira de Almeida jogar líquido quente enquanto ele dormia em uma calçada. Apesar da gravidade, ele sobreviveu após semanas de tratamento e foi adotado por Estefânia Nogueira, que o socorreu.
Mobilização e pressão por justiça
A repercussão levou protetores, ativistas e moradores a organizarem uma manifestação em frente ao MPGO para cobrar punição no caso e em outros episódios semelhantes. Para os participantes, a forma como o processo será conduzido pode abrir precedente para situações futuras.
Uma das participantes do ato, Juliana, afirma que há expectativa de que o caso marque uma mudança na forma como crimes contra animais são tratados.
“Nós estamos esperançosos. Se houver punição nesse caso, isso pode abrir caminho para outros. A gente não está lutando só pelo Johnny, mas por todos os animais que sofrem violência. É preciso dar um exemplo, porque punir esses crimes ajuda a evitar que outros aconteçam”, destacou.

Ela também chamou atenção para a frequência dos casos e para a subnotificação. Segundo dados da Polícia Civil, são registradas cerca de 180 denúncias por mês em Goiânia, o equivalente a um caso a cada quatro horas.
“A realidade é ainda maior, porque muitos nem chegam a ser denunciados. Não dá mais para tratar isso como algo normal. Quem comete esse tipo de crime é perigoso, não só para os animais, mas para a sociedade”, afirmou.
Mensagem emociona e reforça engajamento
Em meio à mobilização, a tutora de Johnny publicou uma carta de agradecimento, escrita como se fosse o próprio animal: “Obrigado por não me esquecerem. Obrigado por não virarem o rosto. Cada pessoa que esteve ali, cada voz levantada… eu senti. Em um mundo onde muitos ainda fecham os olhos, vocês escolheram enxergar a minha dor e transformá-la em amor e coragem”, diz um trecho.
A mensagem também destaca a recuperação do cachorro e a importância do apoio coletivo: “Hoje eu não passo mais frio, não passo mais fome, não vivo mais sozinho. Tenho uma família e sigo lutando para superar o que vivi. Mas ainda penso nos outros que continuam nas ruas”.
Casos recentes aumentam cobrança
Além de Johnny, outros episódios recentes ampliaram a pressão por respostas mais firmes das autoridades, como o caso do cachorro Brutos, morto com um tiro, e de outro animal que foi incendiado em Aparecida de Goiânia.

Para os ativistas, a soma desses casos evidencia a necessidade de maior rigor na aplicação da lei e de políticas públicas mais efetivas.