Síndico que matou Daiane pode ter pago advogado com dinheiro do condomínio, diz polícia
Evidências surgiram após análise de transferências bancárias e denúncia. Confira
O síndico Cléber Rosa de Oliveira, investigado pelo assassinato da corretora Daiane Alves Souza, supostamente pagou advogado com recursos do condomínio que administrava, conforme aponta inquérito da Polícia Civil, finalizado nesta quinta-feira (19/2). A descoberta surgiu após análise do celular do suspeito, que revelou um contrato de honorários e uma transferência bancária no mesmo valor, feita dias antes, levantando suspeita de desvio de dinheiro da associação condominial.
De acordo com o delegado André Luiz, responsável pelas investigações em Caldas Novas, o documento enviado pelo advogado ao síndico tem data de 17 de janeiro, exatamente um mês após o desaparecimento de Daiane. Já no dia seguinte, o atual presidente da associação registrou um boletim de ocorrência relatando um PIX realizado por Cléber para o filho, Maicon Douglas, exatamente no valor descrito no contrato.
Desvio de dinheiro
Para os investigadores, as transferências são indicativo que o pagamento da defesa pode ter sido feito com recursos coletivos do condomínio.

O delegado esclareceu que a polícia não analisou a troca de mensagens entre cliente e advogado, apenas verificou a existência do contrato e o fluxo financeiro. “Não houve quebra de sigilo profissional. O que verificamos foi a correspondência de valores, o que aponta possível uso indevido de verba administrada por ele”, explicou.
Crime e desaparecimento
O caso principal apura o assassinato da corretora, desaparecida em 17 de dezembro de 2025. Daiane Alves só foi localizada 42 dias depois, após o próprio síndico confessar o crime e indicar o local onde havia ocultado o corpo, numa área de mata a cerca de 15 quilômetros do condomínio onde ambos moravam.
A investigação aponta que o homicídio aconteceu no subsolo do prédio pouco depois das 19h e que todo o processo de ataque, transporte e ocultação durou cerca de 43 minutos. Imagens de câmeras mostram a caminhonete do suspeito saindo do prédio com a capota fechada e retornando aberta, detalhe técnico que ajudou a reconstituir a dinâmica do crime.
Celular de Daiane
A recuperação do celular da corretora foi o ponto de virada na investigação. Apesar da tentativa de destruição e ocultação do dispositivo, peritos conseguiram extrair os arquivos de vídeo armazenados. As imagens confirmam que Daiane utilizava o celular para registrar a falta de energia em seu apartamento no momento em que foi surpreendida pelo síndico no subsolo.
Registro feito por Daiane minutos antes de desaparecer mostra a moradora verificando o quadro de energia no subsolo (Divulgação PCGO)
Motivação e histórico de conflitos
O relatório final da Polícia Civil indica que o crime teria sido motivado por disputa na locação de imóveis de temporada. Segundo o delegado, o síndico via a atuação profissional da corretora como ameaça e passou a adotar comportamento hostil. Antes de desaparecer, Daiane registrou vários boletins relatando perseguições, agressões e sabotagens, incluindo cortes intencionais de água, energia e gás em imóveis ligados a ela e aos familiares.
Para os investigadores, o assassinato não foi um ato impulsivo, mas o desfecho de uma sequência de intimidações. O inquérito policial reúne denúncias anteriores de calúnia, injúria e violência física, reforçando a tese de que houve uma escalada de agressividade até o crime.
Defesa
A defesa do síndico não se manifestou sobre as novas suspeitas envolvendo uso de dinheiro do condomínio. Enquanto isso, o Grupo Especial de Investigações Criminais segue apurando as movimentações financeiras para verificar se houve outros desvios durante o período em que ele esteve à frente da administração do condomínio.