ENTREVISTA

“O câncer estava controlado. Foi uma sucessão de erros médicos”, lamenta filho de Batista Custódio

Filho de Batista destaca últimos dias do pai

Julio Nasser, filho de Batista Custódio (Foto: Divulgação)

Apesar de conviver com um câncer no pulmão há pelo menos dois anos, o filho de Batista Custódio, Júlio Nasser diz ao Mais Goiás que uma série de avaliações médicas frustradas culminaram com a morte do pai na manhã desta sexta-feira (24/11), no Hospital São Francisco. O velório do jornalista terá início às 18 horas desta sexta-feira (24/11), no cemitério Jardim das Palmeiras com o sepultamento no Santana, amanhã às 10 horas da manhã.

Ao Mais Goiás, Júlio destaca que o câncer do pai estava totalmente controlado. “Já havia sido algo superado. Estava transparente”, destaca. “A terapia foi muito bem feita”, revelou. Mas houveram contratempos que levaram a uma acentuação da piora na saúde de Batista Custódio.

“De uma hora para outra, ele teve um problema dentário por conta de um medicamento do tratamento do câncer e teve de ir ao médico. O dentista resolveu fazer um implante que acabou dando errado. Ele foi internado duas vezes para fazer raspagem no dente”, pontuou Nasser ao portal.

Todo esse contexto acabou contribuindo para um pior quadro de Batista Custódio. “Isso debilitou muito a saúde dele. Na verdade, ele morreu após uma sucessão de erros médicos. Depois veio a pneumonia, ele te alta mas no dia seguinte passou mal de novo. Depois foi para UTI direto, ficou 20 dias e morreu”, lamentou.

“Ele é uma pessoa insubstituível e formou a grande maioria dos jornalistas de Goiás”, destaca ao Mais Goiás, o filho de Batista Custódio e diretor do Diário da Manhã, Júlio Nasser sobre o pai. Em uma rápida entrevista ao portal, Nasser revela como Custódio passou os últimos momentos da vida. Otimista, queria viver, mas já percebia que sua passagem na terra estava próxima do ponto final.

Apesar do contexto sempre positivo de Batista Custódio, parecia que algo dizia que o luto se aproximava. “Ele estava otimista, mas há dois dias ele começou a despedir de todo o mundo”, conta Júlio. “Ele chamou minha filha, um monte de gente e começou a despedir. Parece que ele sentia que esse momento viria”, pontuou. “Ontem ele ficou me abraçando por uns cinco minutos”. A ternura do último abraço.

Se há algo que Júlio se orgulha é da trajetória de seu pai. “Batista era um homem incorruptivel”, destaca. “Eu já vi na minha frente ele recusar uma proposta milionária. Ele era totalmente honesto. Uma pessoa sem vícios. O único vício que ele tinha era o de fumar. Esse vício levou ele”, lamenta.

A trajetória do pai que por mais de 60 anos dedicou-se ao jornalismo rendeu alguns problemas a Custódio. “Sua trajetória é marcada por muita doação. Ele sempre pensava mais no jornal do que com qualquer outra coisa. Já brigou com governos, era difícil de compactuar com quaisquer outras coisas. Brigou com governadores… Teve uma vida atribulada. Foi preso três vezes na época da ditadura”, pontuou.