INDENIZAÇÃO

Casal de Goiânia vence Latam em processo que trata de viagem conturbada a Lisboa

Allan Manoel Cândido da Silva e Emanoelli Cristini Alves da Silva perderam voo internacional e tiveram bagagem danificada pela Latam

Casal de Goiânia vence Latam em processo que trata de viagem conturbada a Lisboa (Foto cedida ao Mais Goiás)
Casal de Goiânia vence Latam em processo que trata de viagem conturbada a Lisboa (Foto cedida ao Mais Goiás)

Um casal de Goiânia venceu a disputa que travava com a Latam num processo judicial que pedia indenização por danos morais e ressarcimento de danos materiais decorrentes de uma série de transtornos causados pela companhia aérea numa viagem a Lisboa que começou no dia 14 de outubro de 2025 e deveria ter sido concluída no dia seguinte, mas só acabou no dia 16.

O juiz Vanderlei Caires Pinheiro determinou que a Latam pague R$ 5 mil de indenização para Allan Manoel Cândido da Silva e R$ 5 mil para Emanoelli Cristini Carvalho Alves da Silva, totalizando R$ 10 mil para o casal – além do ressarcimento de R$ 1.050 referente à cobrança duplicada da bagagem despachada e às despesas com alimentação durante o período de atraso. A decisão é do dia 9 deste mês e ainda cabe recurso.

No momento de dificuldade, casal fez novos amigos no aeroporto (Foto cedida ao Mais Goiás)

Segundo a advogada Julianna Augusta, que representou o casal, Allan e Emanoelli deveriam embarcar às 10h40 no aeroporto Santa Genoveva com destino a Guarulhos, em São Paulo, e de lá fazer a conexão internacional às 17h40. Acontece que a companhia primeiro atrasou o voo de Goiânia para 14h40 e, no fim das contas, o avião só decolou às 16h.

O atraso impediu o casal de seguir para Portugal no mesmo dia, e implicou em gastos extras com alimentação na capital paulista. A companhia aérea alegou que foi obrigada a fazer uma manutenção não programada na aeronave.

Mais problemas com a Latam

No dia 15, já em São Paulo, o casal teve mais dor de cabeça ao voltou para o aeroporto de Guarulhos para fazer a conexão internacional. Allan e Emanoelli foram outra vez cobrados pela bagagem extra que levavam, embora já tivessem pago mais de R$ 800 em Goiânia. Além disso, os dois alegam que tiveram a mala danificada por funcionários da Latam.

“O voo foi cancelado e as horas de espera trouxeram stress, cansaço e muita frustração. Não foi um bom começo de viagem. Mas, no meio do caos, conhecemos pessoas que estavam exatamente na mesma situação que a gente. Entre conversas e desabafos, criámos um pequeno laço que tornou aquelas horas intermináveis e difíceis um pouco mais leves. Às vezes, é nas situações menos esperadas que surgem as melhores companhias”, diz Emanoelli.

No momento de dificuldade, casal fez novos amigos no aeroporto (Foto cedida ao Mais Goiás)

Suspensão nacional

Apesar do sobrestamento nacional de processos envolvendo atrasos e cancelamentos de voos determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Tema 1.417, o processo teve regular prosseguimento, pois o atraso não decorreu de caso fortuito externo.

De acordo com a advogada Julianna Augusta, especialista em Direito Aéreo, a suspensão nacional possui alcance excepcional e depende da comprovação de que o problema foi causado por eventos inevitáveis, como condições meteorológicas adversas. No caso concreto, a própria companhia aérea atribuiu o atraso à realização de manutenção não programada da aeronave, circunstância que caracteriza falha operacional.

O juiz também ressaltou que problemas técnicos-operacionais integram o risco inerente à atividade empresarial das companhias aéreas, não constituindo excludente de responsabilidade civil.