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Construção civil abre 1,6 mil vagas por mês em Goiás e busca mão de obra para crescer

Desempenho do setor, que é bom, poderia ser ainda melhor se houvesse mais mão de obra disponível

Construção civil se vira para sobreviver à pandemia. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)
Construção civil se vira para sobreviver à pandemia. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

O Sindicato da Indústria da Construção em Goiás (Sinduscon-GO) calcula que 1,6 mil vagas foram abertas por mês na construção civil do Estado em 2023, quase a metade em Goiânia.

Na avaliação do Sinduscon, o desempenho do setor, que é bom, poderia ser ainda melhor se houvesse disponibilidade maior de mão de obra.

Atividades informais (que proporcionam jornadas de trabalho flexíveis, mas com rendimentos menores e sem direitos trabalhistas) tem tirado uma parcela dos trabalhadores do mercado da construção. Principalmente os aplicativos Uber e iFood.

Uma das empresas que procuram mão de obra na construção civil é a Vega Incorporações, com 50 vagas disponíveis. A empresa oferece oportunidades de emprego para profissionais com as mais diversas qualificações, de ajudante de obras, passando por carpinteiros e encarregado de obras, até técnico de segurança do trabalho.

Coordenador de Obras da Vega Incorporações, Lucas Florindo acredita que ainda há preconceito e desinformação em relação ao trabalho formal na construção civil, o que também dificulta a ocupação das vagas. “O trabalho desempenhado por profissionais que trabalham em empresas sérias é muito diferente, por exemplo, daquele em que o trabalhador é um servente de pedreiro, que faz a casa do vizinho”, compara.

Lucas Florindo ressalta que o trabalhador formal na indústria da construção está amparado por direitos trabalhistas, seguro e uma série de normas de segurança que são rigorosamente observadas. “Se comparamos o salário de um trabalhador de aplicativo com o de um profissional qualificado da construção civil, o primeiro tem ganhos menores. E, se fica doente ou se machuca, não tem nenhum seguro ou amparo, tem que ficar encostado, sem rendimentos, sem poder trabalhar. A construção civil, por sua vez, cuida muito bem dos seus funcionários”, enfatiza Lucas Florindo.

Crescimento

A construção civil passa por uma fase de crescimento e recuperação gradativa de empregos, segundo o Sinduscon-GO, que se observa desde 2019. “Essa recuperação se intensificou durante a pandemia de Covid-19. Em 2013, Go’iás tinha um total de 90 mil trabalhadores na construção. Em 2018, houve uma redução para 45 mil e,’ agora, voltamos a 85 mil”, compara o presidente do sindicato, Cesar Mortari.

Até o ano que vem, a construção civil em Goiás deve recuperar o quantitativo de 2013 e, provavelmente, superá-lo, pois a construção civil tem crescido muito acima do PIB nacional nos últimos anos, prevê o dirigente. Segundo o IBGE, a construção civil cresceu 6,9% em 2022, enquanto o PIB brasileiro cresceu 2,9%. Em 2021 a construção cresceu 10% e o PIB 5%.

Considerando biênio 2021/2022, o País cresceu 8,05%, ao passo que a construção civil registrou expansão bem maior, de 17,59%. Em 2023, impactado pelas taxas de juros em níveis muito elevados, o crescimento do setor deve ser menor, de 1,5%, segundo estimativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Em Goiás, em particular na capital, o desemprego está decrescendo rapidamente e se mantém abaixo da média nacional, aponta o Sinduscon-GO. Goiânia, por exemplo, está com taxa de 5,1% de desemprego, muito próximo aos 4,5%, que é considerado pleno emprego.

“Ou seja, há pouca gente disponível para trabalhar. A construção civil tem que competir com outros setores que também absorvem muitos trabalhadores, principalmente os que procuram o seu primeiro emprego, a exemplo do varejo, que demanda trabalhadores para atuar em novos centros de distribuição e, também, nos atacadões”, frisa o presidente da entidade.

Cesar Mortari afirma que para as vagas disponíveis sejam preenchidas é necessário atrair os jovens com a oferta de treinamento e qualificação. De modo que eles percebam que, rapidamente, passarão a assumir funções mais bem remuneradas. “Outra solução é o aumento contínuo dos salários e das melhorias das condições de trabalho, para que a construção civil tenha maior atratividade em relação a outras opões do mercado”, analisa.