CAMPO

De pulverizadora a operadora de máquinas: Raiane é uma das mais de 403 mil goianas no agro

Crescimento de 3,7% na presença feminina superou o avanço registrado entre os homens no setor, que foi de 2,9%, no último trimestre de 2025

De pulverizadora a operadora de máquinas: Raiane é uma das mais de 403 mil goianas no agro
De pulverizadora a operadora de máquinas: Raiane é uma das mais de 403 mil goianas no agro (Foto: Arquivo Pessoal)

Raiane Dias da Silva, de 30 anos, é uma das cerca de 403,1 mil mulheres que estão ocupadas no agronegócio em Goiás e, claro, uma referência para a filha que adora vê-la como operadora de máquina. Os dados são do Boletim do Mercado de Trabalho do Agronegócio, divulgado pelo Instituto Mauro Borges (IMB), vinculado à Secretaria-Geral de Governo (SGG), e referentes ao quarto trimestre de 2025. Eles representam 14,2 mil a mais do que no mesmo período de 2024.

A trabalhadora de Goianésia revela que sua primeira atividade no campo foi em 2018. Ela atuava ministrando veneno contra formigas. “Eu usava aquele pulverizador costal e era bem desafiador. Mas, na verdade, foi uma porta de entrada para o que eu sou hoje”, revela. Desde o começo, o intuito sempre foi garantir a renda para o sustento da família.

Hoje, Raiane opera máquinas no setor do trato cultural da Jalles Machado, onde também já atuou na colheita de cana. “Minha função como operadora de máquinas para tratos culturais é transformar os resíduos da usina, fazer a torta de filtro e o bagaço virarem adubo orgânico, e devolver esse material ao solo para nutrir a nova safra de cana-de-açúcar”, detalha.

Segundo ela, o processo da cana é delicado e cauteloso, pois existe um preparo desde o solo até a irrigação e adubação, e ainda a colheita. “Para muitos, pode parecer rápido, mas é um desafio e um aprendizado para quem está na linha de frente.”

Mulheres no agro

Conforme a pesquisa, o crescimento de 3,7% na presença feminina superou o avanço registrado entre os homens no setor, que foi de 2,9% no último trimestre de 2025. No caso deles, houve a entrada de 19,7 mil trabalhadores, um total de 705,1 mil ocupados. Ainda assim, o levantamento revela que 36,4% das vagas do agronegócio em Goiás são ocupadas por elas. Ou seja, o setor ainda é majoritariamente ocupado por homens (63,6%). Porém, a velocidade de incorporação feminina foi maior em termos relativos no intervalo de 12 meses analisado pelo IMB.

Raiane percebe essa diferença, mas vê hoje uma maior oportunidade para as mulheres. Inclusive, ela reforça que o ambiente de trabalho é de muito respeito e harmonia. “Minha relação com meus colegas é perfeita.”

Quanto ao trabalho em si, ela acredita que hoje está mais fácil que antes, devido à quantidade de maquinário adequado para as funções. Questionada sobre o que significa trabalhar no campo, ela diz ser uma honra e oportunidade. “É minha fonte de renda”, diz e completa: “Hoje eu posso falar que 100% da minha renda vem da empresa onde eu trabalho como operadora de máquina.”

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(Foto: Arquivo Pessoal)

Escolaridade

Outro avanço no setor é a escolaridade da força de trabalho do setor. No quarto trimestre de 2025, 25,2% dos ocupados no agronegócio goiano tinham ensino superior. Em números absolutos, são 278,9 mil pessoas, um aumento de 7,8% em relação ao mesmo período do ano anterior – um avanço de 20,2 mil pessoas com formação universitária.

Apesar do volume, a maior parcela dos ocupados no “campo” ainda é composta por trabalhadores com ensino médio: 43,1%. Essa faixa somou 477,3 mil pessoas e avançou 2,5% no período.

Naquele período, o agro reunia 1,11 milhão de trabalhadores em Goiás, cerca de 28,6% da população ocupada do Estado. A maior parcela de empregados está no segmento Serviços, com 40,6%. Destaque também para o setor Primário, com 23,6%, e pela Agroindústria, com 21,1%.