PREOCUPAÇÃO

‘Decisão a toque de caixa e com clara motivação eleitoral’, diz AER44 sobre fim da taxa das blusinhas

Associação afirma que isenção de US$ 50 concorre diretamente com o ticket médio do varejo nacional

'Decisão a toque de caixa e com clara motivação eleitoral', diz AER44 sobre fim da taxa das blusinhas
'Decisão a toque de caixa e com clara motivação eleitoral', diz AER44 sobre fim da taxa das blusinhas (Foto: AER44)

A Associação Empresarial da Região da Rua 44 (AER44) se manifestou após o fim da “taxa das blusinhas”. Em nota nesta sexta-feira (15), a entidade que representa os lojistas da região da 44, em Goiânia, disse ver com preocupação a publicação da Medida Provisória (MP) que zera o Imposto de Importação sobre compras internacionais no valor de até US$ 50. “Decisão a toque de caixa e com clara motivação eleitoral”, acusou.

Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na terça-feira (12), a MP que zerou esta cobrança. Contudo, o ICMS continua valendo, mantendo parte da carga tributária sobre os produtos importados. É preciso lembrar que a taxa das blusinhas correspondia a uma cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 dentro do programa Remessa Conforme. Com a nova decisão do governo, esse percentual foi zerado, o que deve impactar diretamente o preço final de produtos de baixo valor adquiridos em plataformas estrangeiras.

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Ainda em nota, a AER44 afirmou que a revogação de ofício reacende o debate sobre a falta de isonomia competitiva entre produtos nacionais, em especial a indústria da moda, que produz seus itens e gera emprego em território nacional. “Mesmo sob o peso de uma elevada carga tributária e encargos trabalhistas, frente à entrada indiscriminada de produtos vindos de fora, que não geram empregos no Brasil e não sofrem o mesmo nível de taxação que os produtos nacionais”.

Para a entidade, a mudança irá impactar forte e negativamente o varejo de moda, as pequenas e médias confecções e milhares de pequenos lojistas e feirantes. “Felizmente, apesar de a MP já estar em vigor, no prazo de 120 dias ela ainda será debatida e validada pelo Congresso Nacional e esperamos que o parlamento brasileiro entenda, em sua grande maioria, a nocividade da medida para milhares de micro, pequenos e médios empreendedores, boa parte deles presentes em nossa Região da 44, hoje considerada o maior empregador de Goiás.”

região 44
(Foto: AER44)

Taxa das blusinhas

Antes da criação da regra, em 2024, esse tipo de compra, na prática, não sofria incidência do imposto federal. Com a nova mudança, o modelo retorna a uma lógica semelhante, embora com maior controle fiscal.

Dados da Receita Federal indicam que, apenas nos quatro primeiros meses de 2026, a arrecadação com esse imposto chegou a R$ 1,78 bilhão — alta de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.

ICMS continua valendo nas compras internacionais

Apesar do fim da cobrança federal, o ICMS continua valendo, o que significa que os consumidores ainda pagarão o imposto estadual sobre essas compras. A alíquota varia entre 17% e 20% na maioria dos estados brasileiros.

Esse tributo incide mesmo com a isenção do imposto de importação, o que pode limitar a redução efetiva dos preços para o consumidor final.

Segundo regras definidas pelo Comitê Nacional dos Secretários Estaduais de Fazenda (Comsefaz), os estados têm autonomia para aplicar essas alíquotas sem necessidade de aprovação legislativa local.

Taxação de compras até US$ 50 renderá R$ 700 milhões neste ano
(Foto ilustrativa: Pixabay)

Impacto econômico e arrecadação

A decisão de extinguir a taxa das blusinhas ocorre em um contexto de debate sobre consumo popular e arrecadação. Integrantes do governo defendem que a medida beneficia principalmente as classes de menor renda, que concentram compras de baixo valor.

Por outro lado, o impacto fiscal direto é considerado limitado, já que o tributo representava menos de R$ 2 bilhões em arrecadação anual.

Ainda assim, há preocupações quanto ao sinal econômico da medida, especialmente no campo fiscal, além de possíveis efeitos sobre o equilíbrio competitivo entre empresas nacionais e estrangeiras.

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O que muda para o consumidor

Na prática, o fim da taxa das blusinhas tende a baratear compras internacionais de menor valor, embora o impacto possa ser parcial devido à manutenção do ICMS.

Para compras acima de US$ 50, nada muda: continua valendo o imposto de importação de 60%, além dos tributos estaduais.

A expectativa do governo é que a medida estimule o consumo e amplie o acesso a produtos importados, especialmente em um momento de atenção ao cenário econômico e político.

Nota da AER44 sobre a taxa das blusinhas:

“A diretoria da Associação Empresarial da Região da Rua 44 (AER44) vem a público manifestar sua profunda preocupação com a recente publicação da Medida Provisória nº 1.357/2026, que zera o Imposto de Importação sobre compras internacionais no valor de até US$ 50.

A revogação de ofício da popularmente conhecida “taxa das blusinhas “ reacende o debate sobre a falta de isonomia competitiva entre produtos nacionais, em especial a nossa indústria da moda, que produz seus itens e gera emprego em território nacional, mesmo sob o peso de uma elevada carga tributária e encargos trabalhistas, frente à entrada indiscriminada de produtos vindos de fora, que não geram empregos no Brasil e não sofrem o mesmo nível taxação que os produtos nacionais.

A decisão tomada pelo governo federal a toque de caixa e com clara motivação eleitoral, irá impactar forte e negativamente o nosso varejo de moda, as pequenas e médias confecções e milhares de pequenos lojistas e feirantes.

Diferente do que alguns alegam, a isenção de US$ 50 não representa uma compra irrelevante. Pela conversão cambial atual, esse valor se aproxima de R$ 250, quantia muito significativa quando comparada ao comportamento médio de consumo no varejo brasileiro. No Dia das Mães de 2026, por exemplo, levantamento da CNDL e do SPC Brasil apontou gasto médio de R$ 294 por consumidor, sendo que moda — vestuário, calçados e acessórios — apareceu como o principal segmento de intenção de compra, citado por 53% dos entrevistados. Portanto, uma compra internacional de até US$ 50 não concorre apenas com produtos de baixo valor, mas sim diretamente com o ticket médio do varejo nacional.

Felizmente, apesar da MP já estar em vigor, no prazo de 120 dias ela ainda será debatida e validada pelo Congresso Nacional e esperamos que o parlamento brasileiro entenda, em sua grande maioria, nocividade da medida para milhares de micro, pequenos e médios empreendedores, boa parte deles presentes em nossa Região da 44, hoje considerada o maior empregador de Goiás.