TRAGÉDIA DE ITUMBIARA

Defensoria de Goiás processa Globo, CNN, Record e SBT por divulgar vídeo de Sarah Araújo

Defensoria Pública de Goiás afirma que emissoras teriam incitado linchamento virtual contra Sarah Araújo, vítima da tragédia

Defensoria de Goiás processa Globo, CNN, Record e SBT por divulgar vídeo de Sarah Araújo (Foto: André Bragança, com exclusividade para o Mais Goiás)
Defensoria de Goiás processa Globo, CNN, Record e SBT por divulgar vídeo de Sarah Araújo (Foto: André Bragança, com exclusividade para o Mais Goiás)

A Defensoria Pública de Goiás processou a Globo, a CNN Brasil, a Record e o SBT por supostamente estimular o linchamento virtual contra Sarah Araújo, mãe das duas crianças assassinadas pelo pai, Thales Machado, no caso que ficou conhecido como a tragédia de Itumbiara.

A informação foi trazida a público pelo jornal Folha de S. Paulo nesta terça (24). Segundo a Folha, “a tragédia de Sarah foi amplificada nas redes sociais pela publicação de imagens em que ela aparece beijando um homem”.

Os vídeos – que teriam sido produzidos por um detetive contratado por Thales – geraram uma onda de comentários de pessoas culpando Sarah pelo crime cometido pelo marido. As vítimas foram Miguel, de 11 anos, e Benício, de 8. Depois de atirar nos filhos, Thales tirou a própria vida. Ele era secretário de Governo da prefeitura de Itumbiara e genro do prefeito Dione Araújo.

Thales Machado, Sarah e Dione (Foto: Reprodução/Instagram)

O Mais Goiás entrou em contato com a DPE e aguarda esclarecimentos.

Procuradas pela Folha, Record e SBT não se manifestaram. A CNN Brasil diz que ainda não foi notificada e afirma que não publicou o vídeo em questão. A Globo diz que ainda não foi informada oficialmente do processo.

A ação afirma que ficou comprovado que Sarah estava solteira e que não mantinha mais um relacionamento amoroso com Machado na época do crime. A exibição do vídeo pelas emissoras teria causado um linchamento virtual contra a vítima, que foi apontada como alguém que estaria traindo o marido. Como consequência, ela chegou a ser ofendida durante o enterro dos filhos e precisou de escolta policial no local.

Um caso manchado pelas fake news

Como se não bastasse a dor causada por Thales, a tragédia que aconteceu em Itumbiara foi marcada também pela enxurrada de notícias falsas criadas por perfis de rede social oportunistas que queriam ganhar engajamento em cima do interesse pelo assunto. A onda de fake news incomodou inclusive a Polícia Civil, que divulgou nota para desmentir um boato nesta segunda-feira (23).

A informação falsa dessa semana saiu em um canal de televisão com o título: “tragédia ganha novos desdobramentos”. Em um print de grupo de Whatsapp ao qual o Mais Goiás teve acesso, um delegado desabafa: “uma rede dessa… sem confirmar NADA com quem está investigando…divulgar isso? Eles nos citam ainda. A troco de que?”.

Reclamação de um delegado no grupo de Whatsapp (Foto: Reprodução)
Reclamação de um delegado no grupo de Whatsapp (Foto: Reprodução)

O Mais Goiás fez um apanhado de notícias falsas sobre o caso. Confira:

O infarto do prefeito
Nas primeiras horas da manhã do dia 12 de fevereiro, circulou o boato de que o prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, havia sofrido um infarto depois que soube que o genro dele, Thales, havia tirado a vida dos dois netos. Era mentira: Poucas horas depois, Dione estava no velório de Miguel, uma das vítimas, acompanhado de familiares e de amigos como o governador Ronaldo Caiado e o vice-governador Daniel Vilela.

A carta de Sarah
Dois ou três dias depois do enterrar Benício, o filho mais novo, Sarah Araújo teve o nome envolvido em uma suposta carta que teria escrito fazendo reflexões sobre a tragédia. A carta era falsa.

A morte do menino mais novo
Pouco antes das 11h do dia da tragédia, familiares e amigos espalharam a informação de que a criança mais nova atingida pelos disparos, Benício, já estava morto. Tecnicamente, a notícia estava equivocada. Ele de fato havia entrado em protocolo de morte cerebral, mas esse é um procedimento que pode levar até 72h até que os médicos tenham total segurança de que o quadro do paciente é irreversível. Benício viria a falecer bem depois.

Mudança no rumo da investigação policial
A mais recente fake news sobre o caso foi a de que “novos desdobramentos” teriam levado a Polícia Civil a tratar o caso como possível homicídio. A polícia desmentiu peremptoriamente o boato.