Defesa nega envolvimento do filho de síndico na morte de corretora em Caldas Novas: ‘Pai confessou’
Eles alegam que o pai confessou o crime sem auxílio ou conhecimento de Maicon
A defesa do filho do síndico Cléber Rosa Oliveira, de 49 anos, nega o envolvimento dele na morte da corretora Daiane Alves em Caldas Novas. Ele e o pai foram presos na última quarta-feira (28) suspeitos do homicídio da mulher que passou mais de um mês desaparecida. “Maicon Douglas não tem qualquer envolvimento, direto ou indireto, com o crime em questão, cuja autoria já foi confessada exclusivamente por seu genitor”, disseram os advogados Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva e Daniel Gonçalves Santos Lima ao Mais Goiás.
Ainda conforme os advogados, a confissão de Cléber não contou com o auxílio ou conhecimento de Maicon. “Durante o interrogatório, o investigado [filho do síndico] respondeu a todos os questionamentos de forma transparente e satisfatória, colaborando ativamente com a elucidação dos fatos e negando veementemente qualquer participação no trágico evento”, reforçou a defesa. Os juristas esperam que o cliente seja colocado em liberdade “o mais breve possível, garantindo o respeito às garantias constitucionais e à verdade real”.
Na quinta-feira (29), a Justiça manteve Cléber e o filho presos após audiência de custódia. Sobre o caso, Daiane desapareceu em dezembro e teve o corpo encontrado na madrugada da última quarta-feira em uma região de mata do município. A Polícia Civil trabalha com a tese de que a corretora Daiane Alves foi morta nas dependências do condomínio onde morava, o mesmo onde Cléber era síndico.
A investigação aponta que o corpo dela foi retirado do local em uma caminhonete. O crime teria ocorrido no subsolo do edifício, área sob controle direto do síndico preso, acusado como autor do assassinato na quarta-feira.
Embora o veículo tenha passado por uma limpeza minuciosa para apagar vestígios, assim como a cena do crime no subsolo, a linha de apuração conecta o uso do transporte à logística de descarte do cadáver. A reconstrução da dinâmica do crime indica que o subsolo foi escolhido por oferecer menor circulação de moradores e pontos com limitação de câmeras de segurança. Segundo a Polícia Civil, o local permitia controle de acesso e tempo suficiente para a remoção do corpo sem chamar atenção, especialmente após o desligamento do padrão de energia do prédio, episódio que também está sob apuração.
Peritos da Polícia Técnico-Científica realizaram exames no subsolo e no veículo utilizado, em busca de vestígios microscópicos que possam resistir à limpeza, como resíduos biológicos e fibras. A ausência de sinais visíveis, segundo os investigadores, não descarta a prática do crime no local, mas reforça a hipótese de uma tentativa deliberada de eliminação de provas.
Desaparecimento e investigação
A corretora Daiane Alves de Souza estava desaparecida desde 17 de dezembro de 2025, quando foi vista pela última vez ao entrar no subsolo do prédio onde morava, em Caldas Novas. Na quarta-feira (28), a Polícia Civil encontrou o corpo dela em uma região de mata no município. O síndico do edifício, Cléber Rosa Oliveira, de 49 anos, e o filho dele, Maicon Douglas, foram presos.
O caso passou a ser apurado por uma força-tarefa formada pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Caldas Novas, o Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID) e a Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH) pouco tempo após o desaparecimento. Durante a investigação, imagens do sistema de segurança do prédio tiveram papel central. Os registros mostram Daiane entrando no elevador e seguindo até o subsolo, local onde foi vista pela última vez. A partir desse ponto, não há imagens que indiquem que ela tenha deixado o condomínio.
Segundo as autoridades, o crime teria contado com a manipulação das câmeras para ocultar a ação. Um dia antes das prisões, a defesa de Cléber havia divulgado nota pública afirmando que ele não figurava formalmente como investigado no inquérito naquele momento. Os advogados sustentavam que o síndico vinha colaborando com as autoridades, fornecendo informações e acessos solicitados, e alegavam que eventuais conflitos com a corretora sempre teriam sido tratados por meios legais.
Sobre Maicon, ele é acusado de atuar diretamente na obstrução da Justiça e na destruição de evidências do assassinato da corretora. Segundo a Polícia Civil, ele teria, inclusive, adquirido um novo aparelho celular para auxiliar o pai na coordenação das provas e no descarte de informações que pudessem ligá-los ao desaparecimento da corretora.
Nota completa da defesa de Maicon Douglas Souza de Oliveira:
“Na qualidade de defensores constituídos de Maicon Douglas Souza de Oliveira, os advogados subscritos vêm a público esclarecer os fatos relativos à sua prisão temporária, ocorrida no âmbito das investigações que apuram o falecimento de Daiane Alves. Inicialmente, é imperativo destacar que Maicon Douglas não possui qualquer envolvimento, direto ou indireto, com o crime em questão, cuja autoria já foi confessada exclusivamente por seu genitor, Cleber Rosa de Oliveira, em ato que não contou com o auxílio ou prévia ciência de Maicon.
Na data de ontem (29/01/26), Maicon foi submetido à audiência de custódia e, posteriormente, prestou depoimento perante a autoridade policial. Durante o interrogatório, o investigado respondeu a todos os questionamentos de forma transparente e satisfatória, colaborando ativamente com a elucidação dos fatos e negando veementemente qualquer participação no trágico evento. A defesa técnica reitera sua confiança no Poder Judiciário e informa que já está adotando todas as medidas processuais cabíveis para restabelecer a liberdade de Maicon Douglas o mais breve possível, garantindo o respeito às garantias constitucionais e à verdade real.“
Saiba mais detalhes sobre o caso Daiane Alves: