Delegada presa por furto no Alphaville de Goiânia perdeu a filha e tem doença mental, diz sindicato
Na visão do Sindepol, faltou fazer a devida contextualização dos fatos que envolvem a delegada envolvida no furto no Alphaville
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de Goiás (Sindepol) condenou a forma com que foi noticiada a prisão de uma delegada, na última quinta-feira (29), depois ela furtou produtos de um supermercado no condomínio Alphaville Araguaia, em Goiânia. Para o Sindepol, o tom usado foi “sensacionalista” e “estigmatizante”.
“A ampla exposição midiática do ocorrido, sem a devida contextualização dos fatos e sem respeito à condição de saúde da envolvida, viola princípios fundamentais de dignidade humana e contribui para a perpetuação do preconceito contra pessoas com transtornos mentais”, afirmou o sindicato.
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O Sindepol disse que a delegada em questão “foi aposentada por incapacidade permanente em decorrência de doença de natureza mental, condição agravada após a perda trágica de uma filha adolescente”.
“Trata-se, portanto, de pessoa que necessita de acompanhamento médico e psicológico especializado, e não de exposição vexatória que apenas aprofunda seu sofrimento e o de sua família. A ausência de informações essenciais na cobertura jornalística demonstra descaso com a apuração responsável dos fatos e desrespeito à pessoa humana em situação de extrema vulnerabilidade”, complementou a nota.
O que se sabe
A delegada foi presa nesta quinta-feira, 29, pela Polícia Militar (PM), após seguranças do complexo de luxo acionaram a corporação, que flagrou a mulher com uma mala cheia de produtos furtados. À PM, a proprietária do estabelecimento informou que a suspeita já havia praticado outros dois furtos no local nos dias 19 e 26 deste mês, sendo que a ação foi gravada por câmera de segurança. Ainda de acordo com a empresária, a investigada tinha acesso ao local por meio de “caronas” de vizinhos, que abriam a porta do mercado por meio de aplicativo.
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Entre os itens furtados pela delegada estão leite, cápsulas de café, sacos de lixo, pão, óleo, papel higiênico, macarrão, molho de tomate, enlatados, mussarela, bolachas e conserva, além de sachê para felinos. Durante um dos crimes, a suspeita também teria furtado R$ 35 em espécie, de acordo com o registro da PM.
A delegada foi encaminhada à Central Geral de Flagrantes de Goiânia, onde foi autuada por furto. A audiência de custódia da investigadora estava prevista para a tarde desta sexta-feira, 30, onde o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) irá decidir se a suspeita continuará presa ou responderá o processo em liberdade.
Veja nota completa da Polícia Civil:
“A Polícia Civil de Goiás informa que a mulher presa em flagrante, nesta data, por furto em um estabelecimento comercial localizado em um condomínio de luxo, em Goiânia, trata-se de ex-servidora da instituição, atualmente aposentada por incapacidade permanente, conforme registros funcionais, em decorrência de doença de natureza mental.
A Polícia Civil esclarece que os fatos não guardam relação com o exercício da atividade policial e que o caso foi encaminhado à autoridade competente, sendo adotadas todas as providências legais cabíveis”.