INVESTIGAÇÃO

Diocese de Luziânia apura denúncia de homofobia feita contra padre em casamento

Casal registrou o caso na cúria e também na Polícia Civil

Diocese de Luziânia apura denúncia de homofobia feita contra padre em casamento
Diocese de Luziânia apura denúncia de homofobia feita contra padre em casamento (Foto: Tânia Rêgo - Agência Brasil)

A Diocese de Luziânia informou, nesta sexta-feira (13), que apura uma denúncia de homofobia ocorrida durante um casamento em uma igreja na comunidade São João Batista, na zona rural do município, em 7 de março. A cúria disse, entretanto, que não comentará o caso. “A Diocese de Luziânia está investigando o caso para tomar as medidas necessárias e, enquanto durarem as investigações, não comentará o assunto”, informou em nota.

Sobre o ocorrido, o casal Damon Burmester e Dyogo Severo disse que viveu um momento de dor e constrangimento durante o casamento da prima de um deles. Durante a celebração, que deveria tratar de união, o padre teria cometido uma fala homofóbica.

Segundo eles, em determinado momento, o religioso afirmou que “gays e lésbicas são as desgraças matrimoniais”. O cabeleireiro Damon e o nutricionista e maquiador Dyogo, convidados da cerimônia, ficaram em choque e indignados com a declaração. Sobretudo em um espaço que deveria ser dedicado ao acolhimento e ao amor ao próximo.

Informados, eles utilizaram as redes sociais para desabafar e reforçaram que a verdadeira “desgraça” reside na intolerância e no uso da fé para ferir pessoas. “Nosso amor não é uma desgraça. Nossa existência não é uma desgraça”, afirmaram. Para eles, o respeito não deveria ser um pedido, mas o mínimo esperado em qualquer ambiente.

O casal ressaltou que lugares de fé devem servir como instrumentos de inclusão, e nunca como palcos para a reprodução de discursos de ódio. Dyogo conversou com o Mais Goiás.

“Sentimos constrangimento, vontade de deixar o local e ficamos em choque por não acreditar que estávamos ouvindo aqueles palavrões de um sacerdote. Ficamos extremamente tristes”, desabafou ao portal.

Ele revela que já foi feita uma denúncia na cúria de Luziânia na última segunda-feira (9) junto ao bispo. O casal também registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e prestou depoimento na quarta-feira (11).

Dyogo e o parceiro são católicos e sempre frequentam a missa aos domingos. Ele conta que na paróquia que frequentam sempre são bem recebidos e acolhidos. “Sentimos o amor de Cristo nos sacerdotes.” Ele enfatiza que nunca havia sofrido esse tipo de preconceito em um tempo.

“Sentimos um enorme pesar ao ver que o representante do amor, da bondade, tenha essas atitudes e falas. Nos colocamos no lugar de vários jovens que vão à procura de acolhimento e voltam para casa pior do que chegaram”, lamentou.

Para ele, a igreja deve punir sacerdotes que não pregam o amor e a união de seus devotos, pois “Cristo jamais falaria algo assim ou jamais se direcionaria a nós daquela maneira. Temos total ciência e conhecimento da escritura sagrada e não temos a intenção de mudar o que lá está. Sabemos que o sacramento do matrimônio se deve somente ao homem com a mulher. A benção, o acolhimento já nos basta.”