Decon

Donos de agência de turismo que lesou mais de 400 clientes culpam crise financeira

A crise financeira de 2014, segundo os proprietários da Lon Tour, foi o que fez…

A crise financeira de 2014, segundo os proprietários da Lon Tour, foi o que fez com que a agência de turismo deixasse de cumprir compromissos com mais de 400 clientes, deixando um prejuízo que, segundo a polícia, ultrapassa R$ 2 milhões. Rodrigo Rodrigues e Geovanna Augusta Moreira Fernandes Rodrigues foram ouvidos durante cinco horas na noite de quinta-feira (20), em Goiânia.

Para o delegado Webert Leonardo, titular da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), o casal disse que a empresa, criada há 13 anos, começou a ter problemas financeiros em 2014, e continuou operando no prejuízo em 2015, 2016 e 2017. “Eles relataram que não têm formação de administração de empresas, e que além do aumento do dólar, tiveram problemas também com alguns parceiros, sendo que um deles teria deixado um rombo de R$ 1,3 milhões nas contas da Lon Tour”, relatou o delegado.

Durante as investigações, a polícia descobriu que a empresa só entrou com o pedido de recuperação judicial no final da tarde do último dia 13, e não pela manhã, como Rodrigo e Geovanna teriam afirmado para alguns clientes. “Eles disseram também que não possuem bens, já que teriam repassado alguns imóveis para outros parceiros a fim de honrarem os compromissos feitos com os clientes”, afirmou Webert Leonardo.

O delegado disse ainda que apesar da Justiça não ter acatado o pedido para a decretação da prisão preventiva do casal, todas as outras medidas sugeridas pela Decon, como a suspensão do visto, a proibição de que eles saiam de Goiânia e a apreensão dos passaportes, foram aceitas. A princípio, segundo o titular da Decon, não há indícios de que eles possam fugir, mas “se algo novo surgir”, alertou, poderá ser feito um novo pedido de prisão.

Apesar de Rodrigo e Geovanna relatarem que moram de aluguel, e afirmarem que estão com as contas pessoais em atraso, a polícia, como forma de tentar ressarcir quem ficou no prejuízo, já pediu o bloqueio dos bens deles. Até agora, 150 vítimas já foram ouvidas na Decon, mas o delegado tem informações que pelo menos outras 300 pessoas também foram lesadas pela Lon Tour.
Rodrigo e Geovanna foram indiciados por estelionato e crimes contra as relações de consumo, delitos que tem pena prevista de um a até cinco anos de reclusão.