Endividamento atinge quase 76% das famílias em Goiás, aponta levantamento
Número de famílias endividadas cresceu mais de 10 pontos percentuais em um ano e já afeta consumo, crédito e poder de compra no estado
Quase 76% das famílias em Goiás estão endividadas, segundo levantamento mais recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice chegou a 75,8% em março deste ano, um aumento de mais de dez pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025, quando era de 64,2%. O avanço acompanha a tendência nacional, que atingiu 80,4%, o maior patamar já registrado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Além do alto nível de endividamento, os dados mostram que 38,6% das famílias goianas estão com contas em atraso. Deste grupo, apenas uma em cada cinco afirma ter condições de regularizar as dívidas, o que indica risco elevado de inadimplência nos próximos meses.
O cenário, segundo a CNC, é pressionado por uma combinação de fatores econômicos. Juros elevados, inflação persistente e aumento nos custos de itens básicos têm dificultado o equilíbrio das contas domésticas. A alta recente nos combustíveis, especialmente no diesel, também contribui para encarecer produtos e serviços, ampliando o impacto no orçamento das famílias.
Outro ponto de preocupação é o efeito desses números no consumo. Com o orçamento comprometido, muitas famílias passam a reduzir gastos, priorizando apenas despesas essenciais e adiando compras consideradas não urgentes, como roupas, eletrodomésticos e presentes. Esse comportamento afeta diretamente o comércio e a atividade econômica.

Cartão de crédito é o vilão
As famílias de menor renda são as mais impactadas, segundo o levantamento. Entre aquelas que ganham até 10 salários mínimos, o nível de endividamento chega a 77,7%. Nesse grupo, é mais comum o uso do crédito parcelado como alternativa para manter o consumo, o que pode resultar em pagamento de valores bem acima do preço original devido aos juros.
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A pesquisa mostra ainda que o cartão de crédito segue como principal forma de endividamento, concentrando a maior parte das dívidas. Em muitos casos, ele tem sido utilizado como complemento de renda, o que aumenta o risco de descontrole financeiro.
Ao mesmo tempo, o acesso ao crédito se torna mais difícil. Com o aumento da inadimplência, instituições financeiras tendem a adotar critérios mais rigorosos, encarecendo financiamentos e limitando novas concessões. Isso cria um ciclo em que famílias endividadas têm menos acesso a crédito e menor capacidade de quitar as dívidas.
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Unificar dívidas
Uma das estratégias para melhorar o endividamento da população é a unificação das dívidas. A proposta em estudo pelo governo federal prevê que pessoas inadimplentes possam reunir diferentes débitos, como cartão de crédito, empréstimos pessoais e outras contas, em uma única negociação. A ideia é substituir essas dívidas por um novo acordo com condições mais favoráveis, como juros reduzidos e descontos que podem chegar a até 80% do valor total devido em alguns casos.