Maior chacina da história do DF foi motivada por desejo de possuir chácara de R$ 2 milhões
Denúncia detalha mais de cem crimes cometidos pelo grupo, incluindo tortura, extorsão e ocultação de cadáveres
A ganância por terra e o desejo de assumir o controle de uma propriedade avaliada em R$ 2 milhões foram o combustível para a maior chacina da história do Distrito Federal. Conforme a denúncia do julgamento iniciado nesta segunda-feira (13/4), os cinco réus planejaram o extermínio sistemático dos 10 membros da família Belchior para garantir a posse definitiva da Chácara Quilombo, no Itapoã. Durante a execução do plano, os criminosos utilizaram os celulares das próprias vítimas para atrair parentes para emboscadas. As vítimas foram sequestradas no DF e levadas para diferentes pontos de Goiás, onde o massacre foi consumado.
As investigações revelaram que o massacre não foi um ato impulsivo, mas uma estratégia desenhada ao longo de meses. Para os criminosos, a morte do patriarca Marcos Antônio Belchior era apenas o primeiro passo; a sobrevivência de qualquer descendente representava um obstáculo jurídico para a venda futura da chácara. Por isso, o grupo utilizou o isolamento de um cativeiro no Vale do Sol para torturar as vítimas e obter informações bancárias antes de cada execução.
Durante o cárcere, a quadrilha demonstrou frieza ao assumir a identidade digital dos sequestrados. Utilizando os aparelhos celulares das vítimas, eles simularam conversas e enviaram mensagens para atrair outros membros da família para emboscadas. Esse “efeito dominó” permitiu que dez pessoas fossem capturadas e mortas sem que os parentes distantes suspeitassem de um crime em curso.

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Rastro de destruição entre o DF e Goiás
Na tentativa de ocultar as provas, o grupo espalhou o horror por diferentes rodovias. Enquanto parte da família foi executada e jogada em uma cisterna de Planaltina, outros membros, incluindo a cabeleireira Elizamar Silva e seus três filhos pequenos, foram levados para Cristalina (GO). Lá, o grupo incendiou o veículo com as vítimas dentro, uma tática repetida dias depois em Unaí (MG) contra outros dois familiares.
O desfecho no Tribunal do Júri
Agora, o Tribunal do Júri analisa a participação individual de cada um dos cinco réus: Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva. O Ministério Público sustenta que a quadrilha cometeu mais de cem infrações penais, que vão de latrocínio a corrupção de menores.
A expectativa é de que o julgamento, devido à complexidade das provas e ao número de acusados, se estenda até a próxima semana. De acordo com o MP, as condenações somadas podem chegar a 358 anos de prisão.
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