“Ivan, por favor, para o carro”: vídeo mostra estudante implorando antes de acidente que a matou em Goiás
Estudante de direito de 21 anos morreu após carro sair da pista em Alexânia. Motorista foi preso e pode responder por feminicídio
Um vídeo gravado pela estudante de direito Kimberly Gisele Pereira Rodrigues, de 21 anos, mostra os momentos de desespero da jovem pouco antes do acidente que terminou com a morte dela na BR-060, em Alexânia. Nas imagens, a jovem aparece implorando para que o motorista, Ivan Rodrigues Cardoso, parasse o carro. O suspeito foi preso temporariamente na quarta-feira (20) e pode responder por feminicídio com dolo eventual. A defesa do suspeito diz que ainda é cedo para tratar o caso como feminicídio e afirma que trata-se de um acidente de trânsito.
O acidente aconteceu no dia 4 de maio, quando Kimberly e Ivan saíam de Alexânia com destino a Brasília. Segundo a Polícia Civil, os dois haviam passado a noite em um bar antes de seguirem viagem. No vídeo, a jovem aparece no banco traseiro do veículo demonstrando medo e pedindo para deixar o carro.
“Ivan, por favor, estou com medo. Ivan, por favor, vamos para minha casa?”, diz Kimberly na gravação.
Ciúmes
De acordo com a delegada Silzane Bicalho, responsável pelas investigações, Ivan teria ficado com ciúmes da jovem, com que mantinha um relacionamento, após vê-la conversando com outros homens em um bar. Ainda segundo as investigações, Ivan confessou que havia ingerido bebida alcoólica antes de dirigir e afirmou que perdeu o controle do carro após ver um vulto na pista.
Após o acidente, Ivan foi socorrido e levado para um hospital em Anápolis. Kimberly também chegou a ser resgatada com vida, mas morreu dentro da ambulância durante o atendimento.
A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio com dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de causar a morte, mesmo sem intenção direta.
Familiares contaram que Kimberly era estudante de direito e muito querida entre amigos e parentes. Segundo relatos, ela era conhecida pelo jeito alegre, divertido e carismático.
Não teve intenção
Em nota, a defesa de Ivan Rodrigues Cardoso afirmou que ainda é cedo para classificar o caso como feminicídio e sustentou que o episódio deve ser tratado, neste momento, como um acidente automobilístico enquanto as investigações seguem em andamento.
A advogada Luiza Barreto declarou ainda que não existe comprovação de intenção deliberada de provocar o acidente e informou que irá adotar medidas judiciais para garantir os direitos do investigado, incluindo pedido de habeas corpus.
A defesa também afirmou que Ivan lamenta profundamente a morte da jovem e manifestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima.