Terça-feira, 21 de Julho de 2026
PRERROGATIVAS

Prisão de advogada por suposta difamação de delegado provoca reação da OAB em Goiás

Profissional criticou conduta de investigador em caso policial nas redes sociais

Inglid Martins
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
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A prisão de uma advogada por suposta difamação de um delegado em Goiás provocou reação da secção regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO). A profissional Aricka Cunha foi detida dentro do próprio escritório (veja vídeo abaixo), em Cocalzinho, após publicar uma crítica sobre o arquivamento de uma investigação. A entidade acionou a Corregedoria da Polícia Civil, o Ministério Público e a Justiça de Goiás, com a justificativa de atuar para preservação de prerrogativas dos advogados.

A resposta da OAB-GO ocorreu através da Portaria nº 05/2026, assinada pelo Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP). O órgão argumenta que a detenção pode ter ferido o Estatuto da Advocacia, que só permite a prisão em flagrante de advogados no exercício da função em casos de crimes inafiançáveis. O presidente da seccional, Rafael Lara Martins, garantiu que a entidade buscará a responsabilização de possíveis excessos. As providências já adotadas incluem:

  • Representação criminal junto ao Ministério Público;
  • Abertura de processo na Corregedoria da Polícia Civil;
  • Pedido judicial de nulidade do auto de prisão.

O Mais Goiás tenta contato com o delegado Christian Zilmon Mata dos Santos. O espaço está aberto para manifestação.

Imagem dos membros
OAB-GO formalizou denúncia junto ao Ministério Público e Corregedoria (Foto: OAB-GO)

Prisão em Cocalzinho de Goiás

O motivo da prisão teria sido uma postagem feita pela profissional em uma rede social, na qual ela exibia um despacho de arquivamento de um caso policial. No post, Aricka criticava a justificativa do documento — que citava “falta de efetivo” para o encerramento do procedimento policial. Apesar das críticas, as informações indicam que a advogada não mencionou o nome do delegado na publicação.

Imagens registradas no local mostram o momento em que a profissional foi detida e algemada em seu ambiente de trabalho. Ela foi liberada no período da noite, após o pagamento de uma fiança estipulada em R$ 10 mil.

“Abuso não se normaliza”, diz advogada

Em pronunciamento após o ocorrido, Aricka Cunha classificou a ação como um desrespeito à Constituição e à liberdade de expressão. A advogada destacou que o uso de algemas dentro de seu escritório foi uma medida desproporcional para a situação.

“Hoje não é só sobre mim. É sobre o limite do abuso de autoridade. Se isso acontece com uma advogada em seu espaço de trabalho, o que acontece com quem não tem voz?”, questionou a profissional, afirmando que não se calará diante do episódio.

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