Temporal em Formosa provoca alagamentos, transtornos estruturais e afeta cerca de 70 famílias
Chuva de 51 mm em apenas 30 minutos provocou enxurradas rápidas, danificou vias centrais e mobilizou Defesa Civil e Corpo de Bombeiros
Formosa registrou 51 milímetros de chuva em apenas 30 minutos, entre 18h e 18h30 de segunda-feira (2/3), volume considerado extremamente intenso. A precipitação provocou enxurradas, alagamentos em vias centrais e danos à malha asfáltica, especialmente na região do deck, no Centro do município, onde a água infiltrou sob o pavimento e levantou parte da via. “Foi realmente assustador. Uma cidade estruturada como Goiânia não suportaria um volume desse em tão pouco tempo”, afirmou ao Mais Goiás a prefeita Simone Ribeiro, que acompanhou as ocorrências durante a madrugada.
Apesar dos prejuízos materiais, não houve registro de mortes. “Graças a Deus não tivemos vítimas, mas a estrutura da cidade é muito precária. Isso nos acende um alerta”, disse.
A Defesa Civil municipal iniciou o levantamento das áreas atingidas, principalmente encostas e margens de córregos. A estimativa preliminar é de aproximadamente 70 famílias afetadas, número que ainda passa por confirmação. “Estamos catalogando as famílias para buscar apoio do Estado e do Governo Federal. Foi um susto que poderia ter causado algo muito mais grave”, declarou a prefeita.
Com mais de 50 bairros, três distritos e território majoritariamente rural, o município enfrenta dificuldades históricas em períodos chuvosos, incluindo estradas danificadas e quedas de pontes.
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Pontos críticos preocupam
Entre as áreas mais sensíveis está uma grande voçoroca no bairro Alphaville, que avança a cada chuva e ameaça residências próximas. O córrego José Fagundes, que corta a região Central, também preocupa.
“Esse é o maior ponto crítico. A cada chuva a voçoroca aumenta e há muitas casas em volta. Pode acontecer uma tragédia se não houver intervenção”, alertou Simone.
A cidade não possui sistema pluvial estruturado em diversas regiões, o que contribui para o rápido escoamento da água e para os alagamentos.

Bombeiros atenderam alagamentos e veículos ilhados
O 19º Batalhão Bombeiro Militar (19º BBM) informou que atuou em diversas frentes: alagamentos em residências, veículos ilhados, queda e corte de árvores, além de apoio a condutores.
Não houve vítimas. As equipes seguem monitorando áreas críticas e permanecem em prontidão.
A corporação orienta a população a evitar áreas alagadas, não atravessar enxurradas, desligar a energia em caso de invasão de água e acionar o 193 em emergências.
Escolas funcionam com transtornos
As aulas na rede municipal seguem normalmente, mas com infiltrações e problemas estruturais em parte das unidades. “As aulas acontecem com transtornos. Há salas com teto pingando. Estamos reformando gradativamente, mas ainda há muito a fazer”, afirmou a prefeita.
A gestão municipal se reúne com a Defesa Civil estadual para avaliar a decretação de situação de emergência, medida que pode facilitar o acesso a recursos tanto do Estado quanto do Governo Federal. O município integra a região conhecida como “berço das águas do Centro-Oeste”, característica geográfica que intensifica o escoamento superficial e aumenta a força das enxurradas durante chuvas concentradas em curto período de tempo.
Paralelamente, a prefeitura iniciou campanha de arrecadação para atender famílias atingidas.
Estão sendo recebidos: alimentos não perecíveis, cestas básicas, cobertores e colchões em bom estado. As doações devem ser entregues no Cadastro Único, na Praça da Feira, das 7h às 17h.
“Precisamos de alimentos, cobertas e colchões. Muitas famílias estão em situação de vulnerabilidade e qualquer ajuda faz diferença”, reforçou Simone.
Apesar da estiagem momentânea, o município segue em alerta para novos temporais.
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