Estudante foi estuprada no dia em que deu entrada no hospital, diz delegada
Jovem morreu no último dia 26 de maio. De acordo com a unidade, o óbito foi em decorrência de uma pneumonia hospitalar. Homem nega que tenha praticado os abusos e se manteve em silêncio durante oitiva
Ir direto pra matériaA estudante de 21 anos que morreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Goiânia Leste (HGL), no Setor Universitário, foi estuprada no dia em que deu entrada na unidade. É isso que destaca a delegada Paula Meotti, da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam). O suspeito do crime é o técnico de enfermagem Ildson Custódio Bastos, de 41 anos, que se apresentou de forma espontânea à delegacia, mas foi preso após expedição de prisão preventiva dada pelo juiz Alessandro Manso e Silva, da 7ª Vara Criminal.
Ildson preferiu ficar em silêncio durante o depoimento. De forma informal à esposa, o técnico contou que estava trocando a fralda da paciente. O advogado dele, Leonardo Silva Araújo, destacou que o homem nega veementemente o crime, que o mesmo não possui antecedentes criminais e que ele não se apresentou antes pois temia pela sua vida. “Ele alega que não praticou nada além daquilo que estudou como enfermagem. Nós não tivemos ainda acesso as filmagens e estamos no aguardo de cópias delas. Ele teve receio em se apresentar pois começaram a circular fotos deles em redes sociais e áudios em grupos pedindo para encontrá-lo. Sua apresentação hoje é até por questão de segurança”, conta.
O técnico de enfermagem trabalhava há um ano e cinco meses no hospital. De acordo com Paula, a estudante deu entrada na unidade no último dia 16 de maio com quadro de crises convulsivas, das quais a família relatou que a jovem sofria desde os 14 anos. Diante do seu quadro, ela precisou ser internada na UTI e, na madrugada desse primeiro dia internação, o técnico teria cometido os abusos.
“As imagens são claras. Ele se aproxima próximo ao leito da vítima, fecha a cortina do leito ao lado e coloca as mãos por debaixo do lençol, na região da genitália da vítima, e pratica atos libidinosos. Isso teria começado por volta das 2 horas da manhã e se estendido até após às 3 horas [da manhã]”, destaca Paula.

Vítima chegou a se contorcer e quase caiu no chão enquanto foi abusada (Foto: Divulgação/ PC)
A delegada conta que as imagens do circuito de segurança da unidade mostram que, quando o ato foi mais contundente, a estudante se contorce e quase cai do leito quando era abusada. Segundo Paula, como a paciente tinha oscilações de consciência, ela estava amarrada na cama, o que impossibilitava a reação da vítima.
Na manhã do dia seguinte, a jovem relatou o caso aos prantos a uma enfermeira. A profissional comunicou o fato a direção da unidade, que posteriormente localizou as imagens. Aos diretores da unidade, Ildson disse que os mesmos poderiam ver as imagens, pois não havia acontecido nada demais. “Essa certeza com o que ele falou nos preocupa e por isso estamos levantando informações para verificar a possibilidade dele já ter cometido abusos anteriormente a esse caso. Apesar disso, ainda não temos relatos nesse sentido”, ressalta Paula.
Por meio de nota, a empresa que terceiriza os serviços no HGL, Supreme Care, destacou que o servidor foi afastado das suas funções no dia 17/05 e, após registro do boletim de ocorrência no dia 21/05, o funcionário foi “demitido por justa causa”. Além disso, o hospital afirma que foi dada a oportunidade do técnico de enfermagem ver a gravação, mas foi rejeitado pelo mesmo. Também destaca que a causa da morte da jovem ” não possui qualquer relação com os tristes fatos ocorridos”. Leia a nota completa na íntegra no final do texto.
O hospital constatou que a jovem morreu em razão de “pneumonia hospitalar”. Paula destaca que aguarda o resultado do exame cadavérico. “Não é possível alegar que de forma material tenha contribuído com a morte da jovem, mas não sabemos também a até que ponto o abalo emocional possa ter influenciado ou contribuído para a piora de seu estado de saúde”, ressalta Paula.
O inquérito segue em finalização e deve ser remetido para o Judiciário até nesta sexta-feira (31). Ildson foi autuado por estupro de vulnerável e, se condenado, poderá pegar de 8 a 15 anos de prisão.
Leia a nota completa da Supreme Care, responsável pela UTI do Goiânia Leste
No dia 17 de maio de 2019, os responsáveis pela UTI do Hospital Goiânia Leste receberam a denúncia de abuso sexual da paciente de 21 anos por meio de uma das técnicas de enfermagem da equipe. No mesmo momento, a direção tomou as primeiras medidas com o objetivo de proteger a paciente e investigar o ocorrido.
O técnico de enfermagem acusado pela paciente foi imediatamente suspenso e afastado da sua função. Um boletim de ocorrência com a denúncia foi registrado pelos responsáveis da UTI na Delegacia da Mulher, no dia 21/05/2019 e o funcionário foi demitido por justa causa nesse mesmo no dia. Posteriormente, também por iniciativa da empresa de UTI, o vídeo que mostra o suposto assédio do ex-funcionário, consistente num possível toque nas partes íntimas da paciente, também foi entregue à delegada responsável pelo caso.
Cada um dos 20 leitos geridos pela UTI possui câmera individualizada, que funciona e grava toda a movimentação da UTI, 24 horas por dia. Ao ex-funcionário foi dada a oportunidade de ver as imagens, o que foi recusado por ele.
Além de ter tomado as medidas necessárias sobre a denúncia, coube aos diretores da empresa de UTI comunicar aos pais da paciente sobre o fato e sobre as medidas já tomadas. Esclarece, por fim, que a causa da morte da paciente, em 26/05/2019, não possui qualquer relação com os tristes fatos ocorridos. A empresa está à disposição das autoridades para fornecer qualquer informação adicional que possa ajudar na investigação da denúncia.

A UTI do hospital é terceirizada
(Foto: Reprodução Internet)
*Fabrício Moretti é integrante do programa de estágio do convênio entre Ciee e Mais Goiás, sob orientação de Thaís Lobo