Polícia descobre que homem estudou rotina da ex e do irmão dela por dias antes de crime, em Jataí
Crimes foram precedidos por dias de monitoramento da rotina da vítima, segundo inquérito
A Polícia Civil concluiu nesta sexta-feira (16) o inquérito que investigou a tentativa de feminicídio contra Kelly Cristina Ferreira Alves, 27 anos e o homicídio de seu irmão, Maicon Kelvin Ferreira, 24, ocorridos em dezembro de 2025, em Jataí. As apurações revelaram que o crime foi precedido por dias de perseguição e monitoramento da rotina da vítima, o que resultou no indiciamento do ex-companheiro de Kelly, Adriano Souza Ferreira, de 37 anos, do cunhado dele e de um amigo.
As apurações conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Jataí indicam que o ataque foi planejado com antecedência. Dias antes dos crimes, o amigo do principal suspeito começou a monitorar a rotina da vítima, acompanhando tanto os deslocamentos diários quanto o trabalho da jovem, a pedido do ex-companheiro dela, contra quem havia medida protetiva.
Segundo a advogada Iza Helena Caetano, que comentou o caso na época da emboscada, Adriano já havia sido condenado por tentar matar outra mulher há cerca de 12 anos e cumpria pena em liberdade. No momento da prisão, ele foi encontrado escondido debaixo da cama.
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Crime foi planejado dias antes
Segundo a corporação, o investigado enviava relatórios frequentes com imagens feitas no local de trabalho da mulher, no Jatahy Shopping, além de registros da residência, movimentação de pessoas e veículos. No dia do crime, ele teria informado que Kelly estava em casa e acompanhada, informação que antecedeu a chegada do ex-companheiro e do cunhado ao local.
Conforme o inquérito, os dois se aproximaram da residência em uma motocicleta. O ex-companheiro desceu do veículo e efetuou disparos contra Kelly e o irmão dela, Maicon Kelvin Ferreira, que morreu ainda no local. Mesmo ferida, a mulher conseguiu fugir e foi socorrida, permanecendo internada por alguns dias até receber alta médica.

Participação de cada indiciado foi detalhada
Após o ataque, uma força-tarefa envolvendo as polícias Civil e Militar realizou diligências que resultaram na prisão em flagrante dos três suspeitos e na apreensão da arma utilizada no crime. A análise de imagens de câmeras de segurança da região e do entorno da residência confirmou tanto o monitoramento prévio quanto a presença dos investigados antes e depois do ataque.
A perícia realizada no celular do homem apontado como responsável pelo monitoramento reforçou a existência da perseguição e ajudou a esclarecer a dinâmica dos fatos. De acordo com a Polícia Civil, embora ele tenha participado do acompanhamento da rotina da vítima, há indícios de que não tinha conhecimento da intenção final do crime.

Com base nas provas reunidas, os envolvidos foram indiciados pelos crimes de perseguição, tentativa de feminicídio e homicídio consumado. Todos seguem presos preventivamente na Cadeia Pública da comarca de Jataí, à disposição do Poder Judiciário.
Kelly e Adriano viveram juntos por 11 anos e têm dois filhos gêmeos. Após quase uma década enfrentando violência doméstica — com agressões físicas, psicológicas e patrimoniais — ela decidiu se separar há cerca de um mês antes do crime, mas o homem não aceitava o fim do relacionamento e passou a perseguir a mulher. A defesa também solicitou que a medida protetiva fosse estendida à irmã do agressor, que, segundo Kelly, a pressionou a retirar a denúncia na época.
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