REGIME FECHADO

Ex-médico é condenado a 45 anos de prisão por matar a própria mãe queimada no DF

Lauro Estevão Vaz não poderá recorrer em liberdade

Justiça condena a 45 anos de prisão ex-médico acusado de matar mãe queimada no DF
Justiça condena a 45 anos de prisão ex-médico acusado de matar mãe queimada no DF (Foto: Reprodução)

O Tribunal do Júri de Águas Claras condenou o ex-médico Lauro Estevão Vaz por matar queimada a própria mãe, Zely Curvo, 94 anos. O crime ocorreu durante um incêndio no apartamento dela, no Distrito Federal, a 45 anos de prisão. A decisão de quinta-feira (19) também inclui fraude processual.

Durante o julgamento, os jurados consideram como qualificadoras motivo torpe (ter perdido acesso aos rendimentos da vítima), meio cruel (uso de fogo), recurso que dificultou a defesa da vítima (limitações físicas e de idade) e feminicídio. Houve, ainda, aumento de pena, uma vez que o crime foi praticado contra ascendente e quando a vítima é maior de 60 anos. 

No plenário, o Ministério Público pediu a condenação integral nos termos da pronúncia, enquanto a defesa negou a autoria e pediu a absolvição.  O Conselho de Sentença, todavia, rejeitou todas as teses defensivas. Ainda cabe recurso, mas o réu não poderá recorrer em liberdade.

Lauro foi preso em 14 de junho de 2024 e teve a prisão temporária convertida em preventiva. Ele foi indiciado por feminicídio qualificado por motivo torpe, além de uso de fogo e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, e fraude processual.

Durante as investigações, a perícia verificou que as chamas começaram na maca onde Zely estava e descartou hipóteses como acidentes elétricos ou ação natural.

Relembre o caso

Em 31 de maio de 2024, um incêndio vitimou Zely. Naquele momento, ela estava só, no apartamento, conforme as investigações. Constava no mandado de prisão, entretanto, que Lauro deixou o imóvel da mãe cinco minutos antes do incêndio. O documento assinado pelo desembargador Mário-Zam Belmiro usou isso como justificativa para a prisão, em meados de junho.

O filho da mulher, inclusive, já tinha sido autuado pela PCDF no último 3 de junho por fraude processual, uma vez que entrou no imóvel sem autorização e teria modificado o local do crime. À época, ele prestou depoimento sobre a acusação na 21ª Delegacia de Polícia e disse que foi ao apartamento para buscar roupas e alimentos na geladeira. Naquele momento, ele assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado.

Sobre a dinâmica do incêndio, vizinhos relataram que perceberam o cheiro de fumaça por volta das 8h de 31 de maio. Os bombeiros foram acionados cerca de 1 hora depois.

Curatela

Lauro foi destituído da curatela da mãe e deixou de ter acesso e controle “dos proventos percebidos pela curatelada, o que teria despertado grande contrariedade”, conforme o desembargador na decisão pela prisão do suspeito. Testemunhas afirmaram que ele, quando responsável por gerir os recursos da idosa, gastava o dinheiro com as próprias despesas.

Ex-médico

Lauro era ginecologista. Ele foi condenado em primeira e segunda instância, tendo o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), após acusação de duas pacientes. Ele teria tocado ambas indevidamente durante exames clínicos, entre 2009 e 2010. Uma delas tinha 17 anos e estava grávida.