“Exagero é normalizar a violência”, diz organizadora de manifestação em Goiânia que pede justiça por Orelha
Cão morreu vítima de maus-tratos em Florianópolis (SC); ato em Goiânia será neste domingo (8)
A morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis (SC), continua repercutindo em todo o país e chega agora a Goiânia com um ato público marcado para este domingo (8). A manifestação cobra justiça pelo caso e punição aos responsáveis, além de reforçar o combate à violência e aos maus-tratos contra animais. Na capital, o ato é organizado por Carla Cristiane, da ONG Focinho Caridoso.
O protesto acontece a partir das 8h30, em frente ao Empório Veccino, no Jardim Goiás, próximo ao Parque Flamboyant. A mobilização integra um movimento nacional que ganhou força após as agressões sofridas por Orelha, cachorro comunitário que vivia na região da Praia Brava e morreu após ser brutalmente espancado.
Desde então, capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Vitória já realizaram atos com o mesmo apelo: “Justiça por Orelha”. Em Florianópolis, houve caminhada, faixas, cartazes e a presença de tutores com seus animais. Em Goiânia, a expectativa é de um ato semelhante, com caminhada, falas em defesa da causa animal e leitura de manifesto.
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“Exagero é normalizar a violência”
A principal reivindicação do ato em Goiânia é a cobrança por justiça pelo cão Orelha, com punição aos agressores e o fim da impunidade nos crimes contra animais em todo o Brasil. Segundo a organização, o caso simboliza uma realidade que precisa ser enfrentada com mais rigor pelas autoridades.
Representantes do poder público também foram convidados a participar. De acordo com a organizadora, apenas o chefe do Executivo recebeu convite formal, já que a manifestação não tem cunho político-partidário, mas sim o objetivo exclusivo de defender a causa animal.

A programação prevê uma caminhada, além de falas em defesa dos direitos dos animais e a leitura de um manifesto. A ideia é dar voz à mobilização e reforçar o apelo por mudanças efetivas na proteção animal.
Para a organização, o caso de Orelha se tornou símbolo nacional porque expôs uma realidade de crueldade extrema e evidenciou a sensação de impunidade nos crimes contra animais. Sobre quem considera exagero protestar por um animal, a resposta é direta: “Exagero é normalizar a violência. Protestar é um ato de consciência e humanidade.”
Mobilização também em Goiás
A ONG Focinho Caridoso destaca que, enquanto o caso de Florianópolis mobiliza o país, situações semelhantes continuam ocorrendo em Goiás. A entidade denuncia a falta de políticas públicas eficazes, a ausência de abrigos públicos e a carência de estrutura adequada para acolhimento de animais resgatados.
“Não existe apenas o Orelha de Florianópolis. Aqui em Goiás, milhares de ‘Orelhas’ sofrem todos os dias e seguem esquecidos”, publicou a organização nas redes sociais. “Eles não podem gritar. Nós podemos. Eles não podem marchar. Nós marcharemos por eles.”
Relembre o caso
Orelha, um cachorro comunitário de cerca de 10 anos, era conhecido na região da Praia Brava por ser dócil e afetuoso. Ele foi agredido por quatro adolescentes e, devido à gravidade dos ferimentos, precisou ser submetido à eutanásia.
A repercussão do caso reacendeu o debate sobre punições para crimes de maus-tratos e fortaleceu a mobilização de entidades de proteção animal em diversas cidades brasileiras.
A manifestação em Goiânia promete dar continuidade a esse movimento, com a cobrança por justiça e por medidas mais rigorosas contra a violência animal.