Falha em sistema de alarme atormenta moradores de condomínio em Goiânia
Administradora chegou a culpar as crianças, segundo os condôminos
Disparos frequentes e indevidos do novo sistema de alarme de incêndio de um condomínio residencial no Parque Oeste Industrial, em Goiânia, têm gerado transtornos para os moradores, além de noites sem sono. Nesta quarta-feira (7), eles procuraram o Mais Goiás para relatar o problema. Segundo os condôminos dos prédios, as sirenes das cinco torres tocam em horários diversos, inclusive na madrugada, sem que haja qualquer foco de fogo ou fumaça. Eles alegam, ainda, que o síndico é terceirizado, o que dificulta a comunicação.
Na terça-feira (6), a administração do condomínio disse em comunicado que o sistema estava em conformidade com as normas técnicas e culpou os condôminos – crianças chegaram a ser responsabilizadas. A gestão advertiu que disparar o alarme indevidamente configura crime sujeito a pena de detenção. No entanto, os moradores contestaram a gerência e apontaram falhas técnicas no equipamento, além de falta de treinamento dos porteiros para manusear a central.
Pressionada pelas reclamações, a administração admitiu que o sistema pode apresentar falhas por estar em fase de adaptação e informou que o dispositivo será desativado para manutenção até sexta-feira (9). “Pedimos desculpas pelos transtornos desta madrugada, mas, como informado anteriormente, a instalação da central de alarme contra incêndio foi uma exigência do Corpo de Bombeiros. Por estar em fase de instalação e necessitar de adaptações próprias de um sistema novo no condomínio, algumas falhas podem ocorrer. Porém, estamos fazendo todo o possível para que a empresa responsável realize os ajustes necessários o quanto antes, deixando o sistema funcionando plenamente e oferecendo o treinamento adequado à equipe de zeladoria e portaria”, informou em nota ao grupo dos condôminos no WhatsApp – o texto foi encaminhado ao portal.
Conforme alegado, a instalação da nova central de incêndio cumpre exigências do Corpo de Bombeiros para a obtenção do Certificado de Conformidade (Cercon). Os moradores agora pedem que a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) fiscalize a intensidade sonora do alarme e garanta o funcionamento correto do equipamento antes que ele seja religado. O Mais Goiás procurou a Amma, mas a pasta informou que, agora, a Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) é a responsável por esse tipo de denúncia.
A Sefic disse, em nota, que “enviará uma equipe de fiscalização ao condomínio, nesta quinta-feira (8), para realizar a vistoria. Caso o alarme não esteja disparado no momento da fiscalização, o condomínio será notificado para realizar a manutenção do equipamento”.
Queixas
Um morador diz que sofreu um susto nesta madrugada. “Quase caí da cama. O alarme disparou e foi até às 5h”, relata o problema. “Fizemos um grupo de moradores, onde conversamos e tentamos resolver, mas com a administração não há conversa. Já esgotou a paciência dos moradores.”
Segundo essa pessoa, chegaram a dizer que crianças disparavam o alarme, mas depois recuaram. “De madrugada alguém iria [disparar]? É o alarme que está disparando [sozinho].” Para ela, é preciso que o síndico more no condomínio para conseguir solucionar, de fato, os problemas dos condôminos.
Outro condômino reforçou essa posição. Para ele, o administrador terceirizado não é prestativo, pois os moradores não têm acesso fácil a ele para reclamações. “Existe um aplicativo, mas ele não responde e nao resolve nenhum problema.”
A pessoa ainda informou que o alarme do prédio sempre disparou indevidamente, mas a situação piorou nos últimos três dias, “com ele disparando e ficando ligado por um bom tempo”. Ainda conforme essa pessoa, o síndico terceirizado bloqueou o grupo após confrontos, pois não aceita ideias diferentes da dele. “Ele não resolve nada das queixas dos moradores. O grupo de WhatsApp ele bloqueou. Ele culpou as crianças. Tudo que acontece no condomínio ele culpa as crianças, é costume dele.”
O portal procurou a administração por WhatsApp e e-mail para comentar as queixas. Caso haja retorno, essa matéria será atualizada.
Atualização:
A administração enviou uma nota de esclarecimento ao portal. Confira a seguir:
“Em resposta a denúncia conturbada em desfavor do Residencial Bello Parque, esclareço a realidade fatídica.
Atendendo a exigência do Corpo de Bombeiros Militar, em renovação por meio do Protocolo 170473/23, em primeira vistoria, exigiu-se: projeto técnico correspondente a edificação, aprovado pelo CBMGO (arquitetura, incêndio e memorial descritivo). Obs.: foi verificado in loco que a edificação não possui sistema de alarme e botoeiras de emergência. Por não se tratar de edificação que se enquadre na NT 41, deve ser prevista uma atualização de projeto.
Projeto aprovado com sucesso, por meio do Processo Nº 122361/24! Destarte, as obras já em andamento referem-se à instalação de central de sistema de incêndio e instalação de acionamento manual tipo liga/desliga, com as respectivas adequações, conforme exigido.
Obras iniciadas em 26/09/2025, com previsão de término em 90 dias úteis, executadas pela prestadora de serviços JR Projetos e Sistemas de Combate a Incêndio Ltda, inscrita no CNPJ 14.930.505/0001-60, responsável técnica Adria Marcia Gonçalves Costa, acompanhada da respectiva ART – Anotação de Responsabilidade Técnica.
Neste diapasão, a obra ainda se encontra em andamento, entretanto, devido aos disparos indevidos, devidamente comprovados pela empresa contratada, identificando inclusive a forma, meio e localização do disparo, conforme comunicado a seguir:
‘Prezados Condôminos,
Já sabido por todos, em cumprimento a exigência do Certificado de Conformidade do Corpo de Bombeiros Militares – Cercon, encontra-se em andamento a instalação de central de sistema de incêndio e instalação de acionamento manual tipo liga/desliga.
Não obstante, identifica-se o disparo indevido da central de sistema de incêndio, precisamente na torre Jacarandá, segundo andar, contudo, tal dispositivo é considerado de segurança e utilidade pública.
Ressalta-se, disparar alarme de incêndio indevidamente configura-se crime, estipulado no Código Penal, Art. 266, além de sanções administrativas e civis, transcrevo:
Art. 266 – Interromper ou perturbar serviço telegráfico, radiotelegráfico ou telefônico, impedir ou dificultar-lhe o restabelecimento: Pena – detenção, de um a três anos, e multa.
Quanto ao volume do disparo, está de acordo com a Norma Técnica ABNT NBR 17240 – Sistema de detecção e alarme de incêndio – Projeto, instalação, comissionamento e manutenção, em referência a ABNT ISO 7240. Menciona-se ainda, quando disparado em um disposto, todos serão acionados conjuntamente.
Sendo assim, ficam todos devidamente notificados a não acionarem o alarme de incêndio indevidamente, em caso de inércia e/ou reincidência, medidas cabíveis serão tomadas.
Novamente ocorreu disparos indevidos, com isso, o sistema está desligado até a conclusão da instalação prevista para dia 16/01/2026.
Vale ainda mencionar que já foi publicado o Edital de Convocação que esclarecerá tal instalação e exigências do Cercon, conforme anexo, com a participação da empresa contratada para um treinamento geral e orientações do uso e meios de evacuação.'”
O síndico também se manifestou por nota. Confira:
“Somos uma administradora e trabalhamos com critérios, ou seja, tudo deve passar por assembleia e votação. Só então seguimos.
Com relação ao alarme, há mais ou menos dois anos venho tentando renovar o Cercon com a central de alarme entregue pela construtora, porém, devido às exigências por parte do Corpo de Bombeiros, foi solicitada a adequação de um novo projeto e a mudança da antiga para uma nova central. Inclusive, mais eficaz e segura.
Todos nós sabemos que toda mudança gera alguns transtornos, e o que está acontecendo não condiz com a informação dos moradores, que aliás não acredito ser de todos os moradores.
A central é complexa e está em fase de testes e instalação, ou seja, não foi concluída.
O modelo dessa central exigido pelo Corpo de Bombeiros é que em cada bloco tenha uma sirene que detecta fumaça e outra sirene que detecta falha nas bombas de incêndio.
A central está instalada na portaria e no andar de cada bloco. Essas sirenes, inclusive, quando disparam, o barulho é alto e não é possível mudar, conforme exigência dos bombeiros.
Esse modelo instalado é sensível e 100% eficaz, e qualquer situação em que há detecção, o alarme é disparado. Cabe aos moradores do condomínio evacuar mesmo que o disparo seja acidental e cabe ao porteiro e demais colaboradores verificarem onde aconteceu o disparo e verificar se é incêndio ou não. E, após verificar se está tudo normal, desligar a central e, em seguida, ligar, mantendo o sistema ligado.
Em nenhum momento acusei crianças, apenas pedi aos moradores no grupo de informação para não acionarem os equipamentos, pois em cada andar tem uma caixinha que pode ser acionada manualmente e ela fica aberta e não pode ser lacrada.
Enfim, mesmo sabendo que alguns disparos foram ocasionados por má-fé, procurei ser cauteloso ao fazer o pedido (inclusive é crime).
Em contato com a empresa que está fazendo a instalação, pedi que, ao final do serviço, colocasse um manual de instruções na portaria para ajudar o porteiro, orientando o que fazer. Nossa portaria é terceirizada e nem sempre são os mesmos porteiros.
No dia do disparo, dei 100% de assistência e tive que me deslocar, pois tentei orientar o porteiro para resetar e ele não conseguiu, uma vez que não é só apertar. É preciso segurar o botão por alguns segundos até que o alarme desligue.
Quero deixar claro que, quando fizeram o vídeo, informei os moradores que a central estava desligada até que os serviços e todos os testes fossem concluídos, e que todos os funcionários fossem treinados em situação de disparo e o que fazer. Até porque, repito, o serviço não foi concluído como foi informado por esse morador.
No mais, quando dizem que não tiveram assistência, não concordo. Eu mesmo me desloquei ao condomínio e todos os meus colaboradores têm dado assistência. E, como é algo novo, é normal que isso aconteça.
Reclamações são normais. Estou acostumado com esse tipo de situação, mas não é correto a forma como foi passado para vocês.