Família diz que loja cobrou terno de noivo falecido, mas recuou após repercussão; empresa alega ‘erro de comunicação’
Empresa alega "erro de comunicação" e pede perdão; familiares apresentam áudio de funcionário autorizando cobrança com desconto após tragédia
Com Diogo Luz
A trágica morte do engenheiro eletricista Matheus Vicente Correia, ocorrida após seu casamento no último sábado (28), em Goiânia, ganhou um novo capítulo nas redes sociais. Isso, porque ganhou repercussão uma campanha de arrecadação para pagar o terno utilizado na cerimônia, que ficou danificado durante as tentativas de reanimação do noivo. A loja La Beca disse que não sabia do falecimento, pediu desculpas e retirou a cobrança. Os familiares, contudo, negam essa versão.
Segundo informado pelos familiares, um funcionário da loja conversou com o proprietário, que autorizou o desconto, com o abatimento do aluguel, que daria R$ 2,5 mil. Inclusive, o Mais Goiás teve acesso a um áudio dessa conversa. Em grupos de apoio à viúva, Ana Karolina, circularam mensagens da cobrança pelo dano à vestimenta. Pessoas se comoveram e se organizaram para pagar os custos. A família, em momento algum, se recusou a pagar, buscando apenas um desconto.
Já conforme o sócio-proprietário da La Beca, Thales Quintiliano Castro, houve um “erro involuntário” por uma falha de comunicação. Ele informou que o contato acerca do terno foi feito pela irmã da noiva na segunda-feira. Ela questionou sobre os procedimentos caso a roupa não fosse devolvida, mas não detalhou as razões. “No momento da abordagem inicial, não nos foi passada a gravidade e o falecimento. Meu colaborador me ligou perguntando o que poderia ser feito e, no ímpeto do atendimento padrão, posicionamos sobre o valor do traje. Assim que tivemos a dimensão da dificuldade financeira e da tragédia, recuamos imediatamente”, afirmou.
O empresário disse, ainda, que, tão logo a empresa soube do fato, entrou em contato com a família para pedir perdão e informar que retiraria a cobrança. Conforme o sócio, a loja possui um histórico de 27 anos de atuação no mercado, incluindo participações em ações sociais e casamentos comunitários. “Jamais faríamos uma cobrança dessas sabendo das condições. Foi um mal-entendido”, detalhou.
Thales disse, ainda, que “estamos muito machucados com a reação nas redes sociais, pois isso não condiz com o nosso DNA ou com o meu princípio como empresário”. Ele também usou as redes sociais da loja para publicar uma nota oficial de esclarecimento.
Família contesta
Ao Mais Goiás, a família contestou a versão do empresário. Em um áudio compartilhado com o portal, um homem que seria funcionário da loja diz ter conversado com o proprietário, que autorizou o desconto, com o abatimento do aluguel, que daria R$ 2,5 mil.
Irmã da noiva, Maria disse que a Ana Karolina, sem condições emocionais de lidar com a situação naquele momento, pediu a ela para entrar em contato para verificar o que poderia ser feito. “Fiz o contato com a empresa, e o gerente informou que falaria com o proprietário. No dia seguinte, me retornou com a proposta de cobrança no valor de R$ 2,5 mil, considerando o abatimento do valor já pago pela locação. Em nenhum momento houve qualquer tipo de ofensa ou questionamento quanto ao direito de cobrança”, relatou.
Segundo ela, nesse dia, as cerimonialistas estiveram na casa da Ana e, diante da situação, se ofereceram para tentar intermediar uma possível revisão do valor. “Como eu não havia conseguido nenhuma alteração, entrei em contato com elas, que informaram que tentariam auxiliar. Posteriormente, fui informada de que não houve mudança e que o valor permaneceu o mesmo. Em paralelo, a situação foi mencionada em um grupo de noivas da cidade de Goiânia, com o objetivo de buscar orientação. A partir disso, algumas participantes, por iniciativa própria, organizaram uma arrecadação para ajudar com o valor. Essas mesmas pessoas também passaram a se manifestar publicamente sobre o caso”, detalhou.
Ela afirma que, após essa repercussão, a empresa passou a tratar a situação como um “mal-entendido”, afirmando que não teria havido cobrança. Contudo, ela reforça que isso não corresponde às comunicações realizadas anteriormente. “Ressalto que, em nenhum momento, foi questionado o direito da empresa de realizar a cobrança. O que se busca é apenas que os fatos sejam apresentados com veracidade, sem distorções.”
Confira a nota oficial da La Beca:
Gostaríamos de pedir gentilmente um pouquinho de sua atenção mesmo sabendo que para muitos tirar um tempo para ler esse post seja desnecessário. Podemos dizer que não! Pois precisamos esclarecer alguns fatos por aqui.
Acatando a sugestão de alguns de nossos clientes e seguidores estamos aqui para retratar nossas sinceras desculpas com todos, inclusive com os profissionais da área de eventos e em especial com toda família e a esposa do Matheus.
Em 27 anos de mercado nunca havíamos passamos por um momento tão desafiador. E gostaríamos de esclarecer que sim houve uma comunicação inequívoca no início, que foi resolvida e que não foi gerado nenhum custo para a família.
Esclarecendo também sobre os posts apagados. Os mesmos tem sido e serão feitos por estar vinculados as imagens de outros noivos e casais que não tem nada haver com essa situação, e acreditamos que qualquer um de nós não desejaria ver a sua imagem vinculada a tantos comentários que não condiz com o momento registrado naquela foto. E para tanto esse post fica aqui aberto para que se sintam a vontade para compartilhar o que estão sentindo nesse momento.
Apesar de receber muitos comentários denegrindo a imagem da empresa. Gostaríamos de agradecer aos cerimoniais, celebrantes, e os vários apoios e sugestões que temos recebido de nossos clientes e seguidores no intuito de amenizar a situação que tanto tem nos abalado. É claro que isso não se compara a dor irreparável dessa família enlutada da qual nos solidarizamos.
Respondendo alguns comentários gostaríamos de frisar que não somos uma empresa que não tem empatia pelo outro. Só não ficamos publicando ações que fazemos como doações de vários ternos para bazar em igrejas, casamento comunitário no intuito de oficializar união instável, doações de ternos e peças para clínica de dependentes e alguns pastores que não tem condições de adquiri-los, entre outros. Uma empresa sem empatia jamais conseguiria manter seus colaboradores por 10, 15, 20 anos.
Nós da La Beca e toda equipe agradecemos pelo seu minuto de atenção e sempre iremos nos preocupar em oferecer o melhor para nossos clientes.”