Cachorro é queimado com líquido quente e fica com 50% do corpo ferido em Goiânia
Cão comunitário conhecido como Johnny foi resgatado com queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus
Um caso de supostos maus-tratos contra um cachorro comunitário conhecido como Johnny está mobilizando moradores e protetores em Goiânia. Câmeras de segurança registraram o momento em que uma moradora joga um líquido contra o animal, que costumava circular e dormir em uma calçada do Setor Castelo Branco, região Oeste da capital. O caso ocorreu em 5 de março, mas só chegou às autoridades policiais uma semana depois. Nesta segunda-feira (16), o crime ganhou novos desdobramentos com as versões conflitantes da acusada e das veterinárias que cuidam do cão.
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A acusada foi Identificada por vizinhos após a repercussão das imagens e negou que o líquido utilizado estivesse em alta temperatura ou que tivesse a intenção de ferir o animal. Em sua defesa, ela apresentou uma justificativa de que teria jogado a mesma água usada na limpeza da sua garagem, com água sanitária.
Polícia Civil aguarda perícia
Apesar da identificação da mulher, o processo legal ainda está em fase inicial. A delegada responsável pelo caso, Simelli Lemes, do Grupo de Proteção Animal da Polícia Civil explicou que o rito processual depende de provas técnicas para avançar:
“Ainda não instauramos o inquérito formalmente porque estamos na fase de verificação da procedência das informações. O próximo passo, após a análise preliminar das imagens, será o início da coleta de depoimentos oficiais. Precisamos entender se houve dolo e qual a natureza da substância jogada”, explicou a delegada.
Simelli explicou que os resultados da perícia deve sair em 10 dias e, enquanto isso, começou a agendar os depoimentos de testemunhas e da acusada.
Veterinárias confirmam gravidade
Diferente da versão apresentada pela vizinha, as veterinárias que realizaram o primeiro atendimento no animal afirmam que as lesões são típicas de queimaduras térmicas ou químicas.
“O animal apresenta uma extensa área de perda de pelos e lesões ulceradas no dorso. Pela profundidade e pelo padrão de reação da pele, é muito improvável que tenha sido apenas água em temperatura ambiente. Há sinais claros de queimadura grave”, pontuou Ana Paula Freires.
Crime de Maus-Tratos
O animal segue sob observação e recebendo curativos diários. Caso a perícia e os depoimentos confirmem que o líquido era fervente ou corrosivo, a moradora poderá enfrentar sanções severas. Além da pena de dois a cinco anos de reclusão prevista pela Lei Sansão (Lei 14.064/20), a suspeita poderá ser enquadrada no novo Decreto nº 12.877/2026, batizado de “Justiça por Orelha”.
Assinado na última quinta-feira (12) pelo presidente Lula, o decreto eleva o valor das multas administrativas, que agora variam de R$ 1.500 a R$ 50 mil por animal, podendo chegar a R$ 1 milhão em casos com agravantes, como o emprego de meio cruel. No caso de Johnny, o fato de o crime ter sido cometido contra um animal em situação de vulnerabilidade e ter resultado em sequelas graves (queimaduras de 3º grau) são fatores que podem elevar a punição ao patamar máximo.
Com Letícia Nobre