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Conflito no Oriente Médio encarece frete e pressiona preços de materiais de construção em Goiás

Setor de construção civil aciona estratégias para frear repasse ao consumidor final

Conflito no Oriente Médio encarece frete e pressiona preços de materiais de construção em Goiás Setor de construção civil
Imagem: Reprodução

Os conflitos no Oriente Médio começam a refletir diretamente no bolso dos goianos. Em Goiás, o cenário já impacta a construção civil, com aumento no custo do frete, alta nos combustíveis e reajustes em materiais essenciais para obras.

O efeito é percebido em toda a cadeia produtiva. Insumos derivados do petróleo, como PVC, tintas, solventes e mantas impermeabilizantes, já sofrem pressão de preços. Ao mesmo tempo, o custo logístico aumenta com a alta do diesel, o que encarece ainda mais o valor final das obras.

Dados do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) mostram que o indicador já acumula alta de 1,77% nos três primeiros meses do ano. Em Goiás, o impacto é ainda maior, já que o estado é considerado um importante polo logístico terrestre, dependente do transporte rodoviário.

Segundo o diretor de Inteligência de Negócios e Negociação da Rede da Construção, Divino Lindomar dos Reis, o combustível tem peso significativo no custo das entregas. “O diesel representa cerca de um terço do custo total do frete. Além disso, enfrentamos uma crise de mão de obra, principalmente de motoristas e ajudantes, o que torna a logística um dos principais desafios para os próximos anos”, explica.

Outro ponto de atenção é o mercado internacional. A instabilidade em países como Turquia e Irã afeta o fornecimento de aço e materiais de acabamento, principalmente os voltados para o mercado imobiliário de alto padrão em Goiânia.

Para tentar reduzir os impactos, a orientação dos empresários do ramo é antecipar compras e reforçar estoques. A estratégia busca evitar falta de produtos e minimizar repasses imediatos ao consumidor final.

Apesar das dificuldades, o setor mantém expectativa de crescimento. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção projeta avanço de cerca de 2% para a construção civil em 2026. Ainda assim, especialistas apontam que o momento exige planejamento rigoroso e controle de custos, diante de um cenário externo instável que já afeta diretamente o mercado local.