IMAGENS

Defesa de bombeiro que matou cachorro com tiro não teve acesso às imagens de mordidas

Advogado afirma que vai buscar registros no Corpo de Bombeiros e diz que imagens são essenciais para comprovar versão de ataque

brutos
Cão morto por bombeiro militar era cuidado por moradores (Foto: Cedida ao Mais Goiás)

A defesa do bombeiro militar que matou o cachorro Brutos a tiros no estacionamento do Estádio Serra Dourada, em Goiânia, afirmou que ainda não teve acesso a imagens que comprovem as mordidas sofridas pelo agente. Segundo o advogado Eduardo Moura, a obtenção desses registros é considerada fundamental para sustentar a versão apresentada pelo militar.

“Hoje à tarde irei ao Corpo de Bombeiros ver sobre as imagens”, afirmou o advogado com exclusividade ao Mais Goiás. Ele também reforçou que a defesa aguarda os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e imagens de câmeras de segurança. “A gente está aguardando essas imagens, que devem corroborar com o depoimento dele e mostrar que havia vários cães correndo atrás dele”, disse.

Questionado sobre fotos ou vídeos das lesões que o bombeiro afirma ter sofrido, Moura explicou que ainda não teve acesso a esse material. Segundo ele, isso ocorre porque a defesa foi constituída recentemente. Até o momento, o advogado disse que apenas conversou com o bombeiro e o acompanhou durante o depoimento prestado na delegacia na quarta-feira (8). O militar não respondeu à reportagem sobre a existência dessas imagens.

'Dócil e brincalhão': cachorro morto por bombeiro era alimentado por moradores em Goiânia (Foto: Reprodução)
‘Dócil e brincalhão’: cachorro morto por bombeiro era alimentado por moradores em Goiânia (Foto: Reprodução)

O Mais Goiás também solicitou ao Corpo de Bombeiros imagens que possam comprovar os ferimentos, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. Em nota sobre o andamento do caso, a corporação informou que “o Inquérito Policial Militar foi instaurado pelo CBMGO e todas as medidas necessárias serão tomadas no curso do processo”.

Ataque de vários cães

De acordo com a versão da defesa, o bombeiro praticava atividade física quando foi cercado por uma matilha. “Quando estavam os vários cães em cima, ele desferiu alguns tapas, tentando afastar, gritou com os cães e nada”, relatou Moura.

Ainda segundo o advogado, Brutos continuou o ataque e passou a morder as pernas do militar. “Então imagina se não tivesse cessado essa situação e ele chegasse a ser realmente lesionado com gravidade”, afirmou.

A defesa sustenta ainda que o disparo não teve intenção de matar. “O tiro dele não tinha a intenção de matar, ele tinha a intenção de afastar o perigo ali, mas infelizmente acabou sendo fatal”, declarou.

“Estado de necessidade”

Moura também reforçou o argumento de que o bombeiro agiu em uma situação extrema. “Ele efetivamente estava ali num estado de necessidade. É bom que fique claro que isso é estado de necessidade, não é legítima defesa. Ele usou do único meio que ele tinha para se defender. Infelizmente, esse meio foi um meio fatal”, disse.

O bombeiro foi levado

para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Novo Mundo, onde recebeu atendimento médico. De acordo com a defesa, as lesões foram confirmadas por exame de corpo de delito.

“Dócil e brincalhão “

Brutus, também conhecido por “Negão”, vivia na região do Parque Flamboyant e era cuidado por moradores que contestam a versão apresentada. Pessoas que conviviam com o animal afirmam que ele era dócil e não tinha histórico de ataques.

“Ele apareceu no parque no fim do ano passado, com um machucado enorme em um dos olhos e outros pelo corpo, mas sempre foi super dócil e amigável. Não brigava com nenhum cachorro ou pessoa e ficava praticamente só no parque e nas ruas ao redor. Nunca teve um episódio sequer de procurar briga ou atacar alguém”, relata o advogado João Victor Rodrigues, tutor da cadela Kiwi, amiga de Brutos.

Diante da comoção, protetores de animais organizam uma manifestação para pedir justiça pela morte de Brutus. O ato está marcado para domingo (12), às 8h, no Parque Flamboyant.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, por meio do Grupo de Proteção Animal (GPA).