Empresária presa por movimentar R$ 45 mi com migração ilegal aos EUA é solta em Goiânia
Maria Helena foi presa na última quinta-feira (7) pela Polícia Federal
A empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa foi solta na sexta-feira (8) após permanecer mais de 24 horas detida, em Goiânia, suspeita de movimentar R$ 45 milhões com a migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. A mulher foi presa preventivamente na última quinta-feira (7) durante operação da Polícia Federal (PF).
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Além de Maria Helena, outras três pessoas foram presas em Goiás, sendo que uma outra investigada também foi beneficiada com a liberdade provisória. Ela é suspeita de captar clientes, comprar e gerir passagens, hospedagem e cuidar da logística do esquema. As duas, porém, vão ser monitoradas, inicialmente, com tornozeleira eletrônica por 90 dias.
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Em nota, a defesa de Maria informou que a decisão reconheceu a desnecessidade da medida extrema e pediu respeito à presunção de inocência. Ainda conforme a defesa, a investigada está colaborando com as investigações (veja nota completa abaixo).
Entenda
Os quatro suspeitos de comandar o esquema, em Goiânia, foram alvos da PF por promoção de imigração ilegal, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Até o momento, pelo menos 463 brasileiros foram identificados como clientes da rede criminosa, que envolvia cinco grupos independentes, mas que compartilhavam fluxos financeiros e logísticos, além de operacionais. A suspeita, porém, é que o número possa superar 600 indivíduos.
Ao todo, os esquemas movimentaram R$ 240 milhões entre 2018 e 2023, estimou a PF, embora a migração ilegal possa estar ocorrendo desde os anos 2000. Maria Helena é suspeita de chefiar um dos grupos envolvidos, mantendo contato com coiotes e comprando passagens para imigrantes entrarem ilegalmente nos Estados Unidos. Apenas ela teria movimentado cerca de R$ 45 milhões com a ação ilgal.
No Amapá, outros dois chefes que não foram encontrados foram incluídos na Difusão Vermelha de procurados internacionais da Interpol, relatou a PF. Agora, eles passam a ser procurados em mais de 190 países, que compõem a cooperação policial internacional.
Organização
As investigações foram realizadas, principalmente, no período de 2018 a 2023. A polícia informou que os grupos atuavam de forma estruturada. Eles são suspeitos de organizar toda a logística da viagem, desde a saída do Brasil até a passagem por países como México e Panamá, até a chegada aos Estados Unidos.
Segundo a PF, os grupos tinham integrantes em outros estados e também no exterior, que eram responsáveis por dar suporte logístico, recepcionar os coiotes e também intermediar operações financeiras ilícitas. Além disso, as investigações também apontaram o uso de empresas de fachada, laranjas e esquemas de lavagem de dinheiro para ocultar e disfarçar a origem ilícita do dinheiro movimentado.
Nota da defesa de Maria Helena
“A defesa da Sra. Maria Helena de Souza Netto Costa informa que, conforme já antecipado, foi obtida nesta data a revogação da prisão preventiva anteriormente decretada, restabelecendo-se a liberdade de nossa constituinte, em decisão que reconheceu a desnecessidade da medida extrema.
A defesa reconhece e se tranquiliza com a serenidade do Poder Judiciário e reafirma sua confiança nas instituições. Nossa constituinte seguirá colaborando, no estrito limite de seus direitos constitucionais, para a elucidação dos fatos.
Por oportuno, registramos que serão adotadas as medidas cabíveis para apurar a origem do vazamento seletivo de informações sigilosas ocorridas no presente caso, requerendo-se a competente investigação para responsabilização dos envolvidos, na forma da legislação vigente. Reiteramos o pedido de respeito à presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF) e à intimidade de nossa cliente e de seus familiares. Colocamo-nos a disposição”.