Jovem é preso por engano na Rodoviária de Goiânia e vai para a cadeia após erro em mandado
Auxiliar de montagem foi confundido com investigado por tráfico de drogas
O que deveria ser apenas uma parada de viagem em Goiânia acabou se transformando em um pesadelo para o auxiliar de montagem Leonardo Cerqueira de Almeida, de 23 anos. O jovem foi preso por engano na Rodoviária de Goiânia e passou quase duas semanas na cadeia após um erro na ordem dos sobrenomes em um mandado de prisão.
O documento havia sido expedido pela Justiça de Minas Gerais em uma investigação por tráfico de drogas, mas se referia, na verdade, a outra pessoa.
A prisão aconteceu no dia 27 de fevereiro, quando Leonardo fazia conexão de viagem na capital goiana. Ele voltava do Mato Grosso, onde estava trabalhando, e seguia para casa, no interior de São Paulo, quando foi abordado por policiais militares dentro do ônibus no terminal rodoviário.
Segundo Leonardo, os policiais entraram no veículo, pediram que ele descesse e apresentaram o mandado de prisão. Mesmo afirmando que não tinha relação com o crime citado no documento, ele acabou sendo algemado e levado preso no local.
O mandado havia sido expedido em 2024, no âmbito de uma investigação realizada na cidade de Prata (MG). O problema ocorreu porque o documento foi emitido em nome de “Leonardo Cerqueira de Almeida”, enquanto o investigado seria “Leonardo de Almeida Cerqueira”, pessoa diferente.
Leonardo foi encaminhado para a Casa de Prisão Provisória (CPP) de Aparecida de Goiânia, onde permaneceu por cerca de duas semanas. Durante a audiência de custódia, ele foi representado pela Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO), mas a inconsistência no mandado não foi identificada naquele momento.
Sem conseguir contato com a família, Leonardo continuou preso até que um colega de cela, que havia recebido alvará de soltura, comentou o caso com sua advogada. A criminalista Déborah Carolina Silva assumiu a defesa e identificou o erro no documento judicial.
Após a análise do caso, a Justiça reconheceu a falha no mandado de prisão e determinou a libertação do jovem, que deixou a unidade prisional nesta semana. A defesa destacou ainda que o verdadeiro investigado responde ao processo em liberdade provisória desde 2024.
Em nota, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que o caso está em apuração interna para esclarecer o ocorrido. Já o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) afirmou que apenas cumpriu o mandado existente.
A Polícia Penal de Goiás declarou que a inclusão de presos no sistema ocorre após identificação civil ou criminal e realização de audiência de custódia, e informou que procedimentos estão sendo atualizados para evitar falhas semelhantes no futuro.
*Com informações do G1 e TV Anhanguera